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Educação

Projeto pioneiro vai preparar alunos para profissões do futuro

20/08/2019 17:13
Joel Vargas/PMPA
EXECUTIVO
Estudantes vão desenvolver robôs, blogs, jogos e canais em plataformas digitais de vídeo e música

Criar blogs, robôs, jogos e canais em plataformas digitais de vídeo e música – e tudo isso dentro de um contêiner completamente transformado para ser um espaço criativo da chamada Educação 4.0. É com esta proposta, para preparar os alunos para as profissões do futuro, que foi lançado, nesta terça-feira, 20, um projeto pioneiro no Brasil, implementado pela Prefeitura de Porto Alegre. O lançamento foi feito pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior e pelo secretário municipal de Educação, Adriano Naves de Brito, em solenidade na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Mario Quintana, no bairro Restinga.

A cerimônia marcou a inauguração do primeiro contêiner do projeto, um espaço de 43 metros quadrados que virou uma sala de aprendizagem repleta de recursos tecnológicos. Nesse ambiente criativo, denominado “makerspace”, os estudantes terão à disposição um programa de atividades práticas interdisciplinares oferecidas no contraturno, dentro da política de educação integral do Município. O valor investido anualmente pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) em cada uma das quatro escolas contempladas na fase inicial do projeto será de R$ 264 mil, totalizando R$ 1,05 milhão por ano.

A iniciativa garante a oferta de aulas práticas com ferramentas de tecnologia digital para 400 alunos de 8 a 14 anos de quatro escolas fundamentais da rede municipal de ensino. As aulas serão ministradas por uma equipe de 46 educadores, entre pedagogos, assistentes e tutores de áreas específicas das belas artes. Serão pelo menos três horas-aula diárias, cinco vezes por semana.

Ao dirigir a palavra aos alunos em aula, o prefeito Nelson Marchezan Júnior disse que cada estudante deve se sentir dono do próprio futuro. "Não deixem que ninguém diga a vocês que não podem fazer algo. O que vocês desejarem vocês serão. Aproveitem esta oportunidade", orientou. Ele também afirmou que o espaço vai qualificar o ensino-aprendizagem e disse que “aqui o turno integral não é integral só no tempo, mas no conceito e forma. Quanto melhores forem as aulas, melhores serão as experiências neste espaço”. As atividades irão contemplar os quatro eixos de aprendizagem definidos pela Smed dentro da política de educação integral: letramento, numeramento, iniciação científica e educação do sensível (que inclui artes e esportes).

O projeto é viabilizado por meio de termo de parceria assinado pela Smed e o Instituto Besouro de Fomento Social – organização da sociedade civil credenciada por edital a prestar atividades de contraturno. Nesta primeira etapa, participam as escolas municipais de Ensino Fundamental Mario Quintana (Restinga), Dolores Alcaraz Caldas (Restinga), Presidente Vargas (Passo das Pedras) e Décio Martins Costa (Sarandi).

Makerspaces - Os makerspaces, instalados dentro das escolas em contêineres ou nas próprias salas de aula, são equipados com rede wi-fi e ferramentas para desenvolver experiências práticas que contemplam música, artes cênicas, pintura, escultura e robótica, arquitetura, literatura e cinema. O objetivo é qualificar o processo de aprendizagem dos alunos e aprimorar suas competências relacionais, trabalhando habilidades e estímulos para as profissões do futuro e melhorando resultados na proficiência dos estudantes, especialmente em português e matemática.

Na avaliação da aluna Luiza Costa, 12 anos, a partir de agora a escola ganha um atrativo a mais. “Aqui a gente tem mais contato com tecnologia. Vamos, por exemplo, criar um canal no Youtube, e já sei que o meu vai ser sobre cinema”, conta, com muitos planos para explorar o mundo digital.

De acordo com o secretário de Educação, Adriano Naves de Brito, projetos como a parceria com o Instituto Besouro devem gerar mais 3 mil vagas para alunos do turno integral. “O turno inverso não pode ser um passatempo. Precisa ser um espaço qualificado de ensino. Portanto, vamos acompanhar os resultados dessa política, monitorando quais serão nossos avanços. Nosso foco continua sendo melhorar o desempenho dos alunos, sempre comprometidos com o processo pedagógico. Tudo isso dá certo porque o prefeito é um entusiasta da Educação e nunca faltou investimento, apesar do déficit orçamentário”, analisa.

Realidade digital - Conforme Vinicius Lima, egresso da Escola Municipal de Ensino Fundamental Vila Monte Cristo e presidente do Instituto Besouro de Fomento Social, o projeto conecta os alunos à realidade dos recursos digitais e oferece uma grande oportunidade para os estudantes, que, em breve, estarão no mercado de trabalho. “Em aulas totalmente conectadas com o currículo do ensino regular, eles vão trabalhar as belas artes, que trouxemos para o mundo digital pensando nas profissões do futuro. O objetivo é que eles estejam inseridos no mundo digital, para que, no futuro, possam competir no mercado”, explica. O projeto é pioneiro no Brasil, e a expectativa é que seja reproduzido, já no ano que vem, em São Paulo.

A diretora da Emef Mário Quintana, Caroline Correa, acredita que um dos principais diferenciais do projeto é a motivação gerada pelas aulas. “O interesse precisa estar pulsante dentro da escola. Hoje, tudo passa pela tecnologia. É maravilhoso poder fazer uso disso em prol do conhecimento e da aprendizagem”, destaca.

Na avaliação do tutor de Literatura Emerson Garcia de Souza, responsável pela aula no makerspace nesta terça-feira, é visível o crescimento no envolvimento dos alunos. “A gente percebe que eles estão mais felizes, existe um estímulo maior para produzir mais. Isso nos deixa muito satisfeitos. O projeto é uma maneira de sair do processo canônico da sala de aula. Nossas oficinas saem de métodos maçantes e colocam a criatividade e a inovação no centro da aprendizagem. A atividade impacta o aproveitamento escolar e o desenvolvimento dos alunos como um todo”, garante.

O vereador Reginaldo Pujol (DEM), vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara e membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ressaltou que o projeto "é muito positivo. É feito com amor, e as coisas que a gente faz com amor são mais bem executadas, dão melhor resultado”.

  

 

Vanessa Sampaio

Rui Felten