Artigo: Quando correr também transforma cidades
Porto Alegre vive um novo momento no esporte. As corridas de rua deixaram de ser eventos pontuais para ocupar espaço permanente na cidade: no calendário, nas ruas e na rotina de milhares de pessoas.
Os números mostram essa mudança. Em 2023, eram 30 provas realizadas na capital. Em 2025, esse número saltou para 91 corridas, reunindo mais de 128 mil participantes. Para 2026, a projeção é ultrapassar a marca de 100 eventos ao longo do ano, com aumento no número de inscritos e maior presença da modalidade no cotidiano da população.
O crescimento não é casual. Ele acompanha uma mudança de comportamento. Cada vez mais pessoas buscam qualidade de vida, disciplina e um espaço de convivência que o esporte oferece de forma direta e acessÃvel.
Mas o impacto vai além da prática esportiva. Corridas de rua movimentam a cidade. Hotéis ampliam ocupação, restaurantes registram aumento de fluxo, o comércio sente o reflexo e o turismo ganha força. Eventos desse porte ajudam a posicionar Porto Alegre no circuito nacional.
Há também um efeito menos visÃvel, mas determinante. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, para cada R$ 1 investido em esporte, há uma economia de até R$ 3 em saúde pública. Em um cenário de crescimento do sedentarismo, incentivar a atividade fÃsica é uma medida de gestão eficiente, com impacto direto na prevenção de doenças e na redução de custos futuros.
O esporte, nesse contexto, assume um papel mais amplo. É segurança, ao ocupar espaços públicos e estimular a presença das pessoas na cidade. É educação, ao reforçar valores como disciplina, respeito e convivência. É saúde, ao incentivar hábitos que melhoram a qualidade de vida. E é economia, ao gerar movimento e oportunidades em diferentes setores.
Esse avanço exige organização. A realização de eventos dessa dimensão depende de planejamento, integração entre áreas como mobilidade, saúde e segurança, e diálogo permanente com os organizadores. Não se trata apenas de autorizar provas, mas de estruturar a cidade para recebê-las.
Porto Alegre já demonstrou que tem condições de ampliar esse movimento. O desafio é dar continuidade ao trabalho, com responsabilidade e visão. Incentivar as corridas de rua é reconhecer um processo que já está em curso e garantir que ele siga crescendo de forma organizada, segura e com retorno para a população.
Lucas Siqueira
Secretário Municipal de Esporte e Lazer de Porto Alegre
Artigo publicado na edição de 13 de julho de 2026 do Jornal do Comércio.
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Camila Saccomori