Prefeitura e comunidade dialogam sobre drenagem e proteção do bairro Guarujá
Gestores e técnicos do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) participaram na manhã desta terça-feira, 25, da Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara Municipal. A sessão, realizada na sede do Legislativo, teve como objetivo ampliar o diálogo sobre a drenagem e a proteção contra cheias no bairro Guarujá, na Zona Sul.
O encontro teve três temas principais: o plano de contingência adotado para a contenção do Guaíba durante a cheia registrada em julho; a capacidade da rede de drenagem urbana diante de episódios de chuva intensa; e o estudo de viabilidade técnica, em elaboração, para a implantação de um sistema definitivo de proteção no bairro.
"Estamos trabalhando em duas frentes complementares: de um lado, adotamos medidas de contingência para reduzir os impactos de eventuais cheias enquanto, de outro, avançamos nos estudos necessários para definir uma solução permanente para a região. É um trabalho complexo, que envolve diferentes alternativas, impactos sociais, questões de engenharia e a necessidade de recursos para a execução", afirma o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.
Plano de contingência - Concebido pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) na década de 1960, em resposta à enchente de 1941, o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre abrange a área costeira entre os bairros Sarandi, na Zona Norte, e Cristal, na Zona Sul. Todo o restante do território da Capital, incluindo o bairro Guarujá, está fora da área protegida.
No bairro, que apresenta uma das cotas de inundação mais baixas da cidade, a estratégia imediata consiste no bloqueio físico das redes de drenagem que conectam as vias ao Guaíba. A medida possibilitou que, durante a cheia de julho, não fossem registrados episódios de inundação nas ruas Jacipuia e Oiampi, que normalmente estão entre as primeiras atingidas pela elevação do manancial.
Para permitir o escoamento da água da chuva que permanece dentro da área urbana após o bloqueio das redes, bombas móveis são instaladas junto aos canais dos arroios. Os equipamentos fazem a transferência da água para fora da barreira provisória. A solução tem caráter paliativo e busca reduzir os impactos das cheias enquanto são concluídos os estudos necessários para a implantação de uma estrutura definitiva de proteção.
Estudo - A ampliação da proteção contra cheias para a Região Sul da Capital é uma iniciativa pioneira, iniciada pelo Dmae em outubro de 2024, com a contratação da empresa de consultoria Rhama Analysis. Desde então, três alternativas se mostraram tecnicamente mais viáveis para a região - que inclui, ainda, o bairro Serraria: a construção de um muro ou a elevação da avenida Guaíba ou da Praça Zeno Simon.
Em todos os cenários, as intervenções demandarão o acolhimento de famílias, desapropriações e pagamento de indenizações. A etapa atual dos estudos consiste na confirmação da viabilidade técnica das alternativas e elaboração de orçamentos. Em uma estimativa preliminar, os investimentos necessários podem chegar a cerca de R$ 300 milhões. Além de avançar na conclusão dos estudos, a prefeitura trabalha na busca por recursos que possam viabilizar a execução das intervenções.
Lissandra Mendonça
