Jardins do DMAE

Sistema de Proteção Contra Cheias

O sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre foi concebido pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) na década de 1960, em resposta à enchente de 1941. A estrutura abrange a área costeira entre os bairros Sarandi, na Zona Norte, e Cristal, na Zona Sul - sendo composta, principalmente, por diques externos e internos, além de comportas. O sistema também é integrado à drenagem urbana por meio das Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps).

Conforme estabelece o artigo 21 da Constituição Federal de 1988, compete à União “planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações”. Nesse contexto, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) atua de forma suplementar aos governos federal e estadual na manutenção, qualificação e reforço das estruturas de proteção da cidade.

Diagnóstico do sistema após a cheia histórica de 2024

Após a enchente histórica de 2024, o Dmae iniciou um amplo trabalho de pesquisa e diagnóstico em todo o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre. O objetivo foi identificar os pontos de entrada da água dos rios na cidade e subsidiar a definição das obras corretivas necessárias para o reforço das estruturas.

A iniciativa foi ampliada com a contratação da empresa Rhama Analysis, que atua como consultora técnica do Departamento nas áreas de proteção contra cheias e drenagem urbana. Desde então, todas as obras e intervenções executadas têm como foco o aumento da segurança nos pontos de vulnerabilidade do sistema.

Mais de R$ 325 milhões já foram investidos. Confira, abaixo, um resumo das iniciativas.

Gráfico

Como funciona o sistema de proteção contra cheias

Diques

Porto Alegre conta com 68 quilômetros de diques em seu sistema de proteção contra cheias. Desse total, 24 quilômetros são diques externos, responsáveis por proteger a cidade da elevação do nível do Lago Guaíba e do Rio Gravataí.

Essas estruturas se apresentam de diferentes formas. Além do Muro da Mauá e dos diques de terra localizados em regiões como o entorno da sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e o bairro Sarandi, também integram o sistema estruturas incorporadas ao cotidiano da população, como a Freeway e as avenidas Castelo Branco e Edvaldo Pereira Paiva, projetadas para atuar como barreiras de proteção contra inundações.

Os outros 44 quilômetros de diques são internos e estão localizados às margens dos arroios da cidade. Essas estruturas auxiliam na contenção das águas e integram o sistema de drenagem urbana de Porto Alegre.

Diques Mapa

 

Comportas

O projeto do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre previu 14 passagens entre os diques, com o objetivo de manter o acesso da população à orla do Guaíba e facilitar a mobilidade urbana entre a Zona Norte e a região central da cidade.

Em situações de elevação do nível dos rios, essas passagens podem ser fechadas por meio de comportas - estruturas metálicas de grande porte que funcionam como barreiras de proteção contra a entrada da água.

Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps)

As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) integram o sistema de drenagem urbana de Porto Alegre e atuam de forma articulada com o sistema de proteção contra cheias em períodos de elevação do nível dos rios.

A principal função dessas estruturas é bombear para fora dos diques a água da chuva acumulada na cidade, contribuindo para reduzir os riscos de alagamentos. Ao todo, Porto Alegre conta com 23 unidades desse tipo, popularmente conhecidas como casas de bombas.

Ebap 1 - Rodoviária e entorno
Ebap 2 - Rodoviária e entorno
Ebap 3 - Bairro São Geraldo e entorno
Ebap 4 - Parque Náutico e entorno (4º Distrito)
Ebap 5 - Vila Farrapos e bairro Humaitá
Ebap 6 - Bairro Anchieta
Ebap 7 - Avenida Sertório e entorno
Ebap 8 - Vila Farrapos
Ebap 9 - Bairro Sarandi
Ebap 10 - Bairro Sarandi
Ebaps 11A e 11B - Bairro Cristal
Ebap 12 - Bairro Menino Deus e entorno
Ebap 13 - Bairro Praia de Belas e entorno
Ebap 14 - Bairro Azenha e entorno
Ebap 15 - Avenida Ipiranga e entorno
Ebap 16 - Bairro Cidade Baixa e entorno
Ebap 17 - Centro Histórico
Ebap 18 - Centro Histórico
Ebap 19 - Vila Planetário e entorno
Ebap 20 - Bairro Sarandi (Vila Minuano)
Ebap 21 - Bairro Sarandi (Vila Asa Branca)
Ebap 22 - Trincheira da Avenida Ceará

mapa tudo

Histórico das maiores cheias registradas no Guaíba

Maiores cheias do Lago Guaíba - Cais Mauá

1873 – 3,50m
1914 – 2,60m
1928 – 3,20m
1936 – 3,22m
1941 - 4,75m
1967 - 3,13m
1984 – 2,60m
2015 – 2,94m
2016 – 2,65m 
2023 (setembro) - 3,18m
2023 (novembro) - 3,46m
2024 - 5,37m
2025 - 3,45m

Parâmetro: Régua da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), instalada no Cais Mauá, onde a cota de inundação é 3 metros.

Obras concluídas após a cheia histórica de 2024

Muro da Mauá - Obra Concluída

Localizado às margens do Guaíba, entre o porto e a avenida Mauá, o Muro da Mauá é uma das principais estruturas do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre. Construído em concreto armado, possui 2,6 quilômetros de extensão - o equivalente a cerca de 4% de toda a extensão de diques da Capital. O muro tem seis metros de altura, sendo três metros acima do solo e três abaixo dele.

A estrutura é responsável por proteger o Centro Histórico em situações de elevação do nível do Guaíba. Após a enchente histórica de 2024, o muro passou por uma revisão completa. As patologias identificadas em estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foram corrigidas em obra conduzida pelo Dmae e pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), reforçando a segurança estrutural do sistema.

Muro da Mauá

Dique da FIERGS - Obra Concluída

Localizado no entorno da sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), o dique de terra teve parte de sua estrutura degradada ao longo do tempo, em razão da ação humana e do desgaste natural ocorrido entre a sua construção e a enchente histórica de 2024.

As obras de reconstrução começaram em julho de 2024 e foram concluídas em janeiro do ano seguinte. Com a intervenção, o dique voltou a garantir proteção à cidade na cota de 5,8 metros - equivalente ao maior nível registrado durante a enchente histórica.

Dique da Fiergs

Dique do Sarandi, trechos 1 e 2 - Obra Concluída

O Dique do Sarandi tem início na BR-290 e se estende por um dos bairros mais populosos de Porto Alegre até a avenida Sertório. Ao longo das quase cinco décadas entre a sua construção e a enchente histórica de 2024, a estrutura foi ocupada irregularmente em diversos pontos, comprometendo sua capacidade de proteger a população contra as cheias do rio Gravataí.

Durante o evento climático de 2024, o dique apresentou um importante ponto de rompimento, o que motivou ações imediatas de reconstrução e reforço da estrutura. Com cerca de quatro quilômetros de extensão, o dique foi dividido em três trechos para viabilizar as intervenções. O primeiro segmento, localizado entre a Freeway e a Ebap 9, não possuía ocupações irregulares e teve as obras iniciadas ainda em 2024, com conclusão em janeiro de 2025.

No segundo trecho, com aproximadamente 300 metros de extensão, as obras começaram em julho de 2025, após a resolução de entraves judiciais. Para viabilizar a reconstrução completa do dique, mais de 50 famílias foram acolhidas pelo Município. As intervenções neste segmento possuem maior complexidade em razão do nível de degradação identificado na estrutura.

Dique do Sarandi

Extinção das comportas 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14 - Obra Concluída

Após a enchente histórica de 2024, o Dmae definiu pela desativação da maior parte das passagens originalmente abertas nos diques do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre.

A medida tem como principal objetivo ampliar a segurança da cidade diante de eventos climáticos extremos. A decisão considera, entre outros fatores, a redução do fluxo de veículos e pedestres na região interna do porto, além da consolidação de novas alternativas de mobilidade urbana desenvolvidas ao longo dos últimos anos.

As primeiras obras foram concluídas ainda em 2024, com a substituição das passagens 3, 5 e 7, localizadas no Muro da Mauá, por estruturas fixas de concreto armado. Em 2025, as intervenções avançaram para as comportas 8, 10, 13 e 14 - esta última considerada o principal ponto de entrada da água dos rios na cidade durante a enchente histórica.

Já em 2026, foi concluída a desativação da última passagem contemplada neste conjunto de intervenções: a comporta 9.

Comporta 14

Reforma das comportas 1, 2, 4 e 6 - Obra Concluída

As comportas 1, 2, 4 e 6, localizadas no Muro da Mauá, não apresentaram falhas significativas durante a enchente histórica de 2024. Além disso, as estruturas seguem desempenhando funções importantes para o acesso à região portuária, garantindo, entre outras atividades, a operação do Embarcadero e do Catamarã.

Diante disso, o Dmae realizou intervenções voltadas ao reforço dos mecanismos de fechamento dos portões e à qualificação da mobilidade nas passagens. As melhorias permitirão maior vedação entre as comportas e o muro, além de tornar mais ágil e segura a operação das estruturas em situações de necessidade.

Comporta

Proteção das câmaras de descarga das Ebaps 6, 13, 17 e 18 - Obra Concluída

As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 6, 13, 17 e 18 passaram por obras voltadas ao reforço da proteção contra o retorno da água dos rios pelos poços de controle das estruturas.

Nas Ebaps 6 e 13, foram instaladas tampas pressurizadas, que aumentam a proteção dos motores e painéis eletroeletrônicos em situações de cheia. Já nas Ebaps 17 e 18, a contenção ocorre por meio de chaminés de equilíbrio construídas em concreto armado.

Na prática, as duas soluções permitem que os equipamentos permaneçam em operação mesmo quando os cursos d’água ultrapassam a cota de inundação, ampliando a segurança e a capacidade de resposta do sistema de drenagem urbana.

Dique do Sarandi

casa de bombas 17

casa de bombas 13

casa de bombas 6

Instalação de geradores, quadros de transmissão automática e sensores nas Ebaps de Porto Alegre - Obra Concluída

O Dmae reforçou a operação das Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) com a instalação de sensores de telemetria. O sistema permite o monitoramento, em tempo real, do nível dos poços de sucção - indicador que define a necessidade de acionamento dos motores.

Com a tecnologia, o Centro de Controle Operacional (CCO) passou a acompanhar remotamente o funcionamento das casas de bombas, garantindo mais agilidade na mobilização das equipes especializadas, acionadas imediatamente em caso de necessidade. O investimento na implantação do sistema foi de R$ 1 milhão.

As estações contam, ainda, com geradores de energia para assegurar o funcionamento do sistema de drenagem urbana em situações de interrupção no fornecimento elétrico. Para ampliar a segurança operacional, foram instalados Quadros de Transferência Automática (QTAs), que acionam os geradores de forma instantânea em caso de oscilação ou queda de energia.

O desligamento também ocorre automaticamente após o restabelecimento do fornecimento pela concessionária.

telemetria ebaps

Obras em andamento após a cheia histórica de 2024

Substituição das comportas 11 e 12 - obra em andamento. Previsão: julho de 2026

As comportas 11 e 12 também desempenham funções importantes para a mobilidade urbana no cotidiano da população. No entanto, em vez de reformar as estruturas antigas, o Dmae optou pela fabricação de novas comportas, projetadas especialmente para suportar a força da água na região sob influência do rio Jacuí.

Além do reforço estrutural, as passagens contarão com um novo mecanismo de fechamento, proporcionando melhores condições de operação, mais agilidade e maior segurança em situações de necessidade.

comporta 12

Substituição e reforço das tampas dos condutos forçados Álvaro Chaves e Polônia - obra em andamento. Previsão: julho de 2026

As tampas dos condutos forçados Álvaro Chaves e Polônia estão sendo substituídas para aumentar a resistência do sistema à pressão provocada por eventuais elevações no nível do Guaíba e do rio Jacuí. A obra, orçada em R$ 1,2 milhão, tem como objetivo evitar o surgimento dos chamados “chafarizes” registrados no 4º Distrito durante períodos de cheia e episódios de chuva intensa.

Ao todo, 14 tampas de condutos passam por substituição em diferentes pontos da cidade, reforçando a segurança e a eficiência do sistema de drenagem urbana: 

- Avenida Polônia, próximo à esquina com a rua Voluntários da Pátria
- Avenida Polônia, esquina com a rua Rio Grande
- Avenida Polônia, esquina com a rua Missões
- Rua Álvaro Chaves, esquina com a rua Conselheiro Travassos
- Avenida Carneiro da Fontoura, próximo à rua Visconde de Pelotas
- Rua Voluntários da Pátria, nº 2260
- Rua Voluntários da Pátria, no alinhamento da rua da Consolação
- Rua Voluntários da Pátria, nº 2817
- Avenida Assis Brasil, cruzamento com a rua General Emílio Lúcio Esteves
- Rua Miguel Couto, próximo ao Parque Marinha do Brasil

condutos forçados

Dupla alimentação de energia elétrica às estações de drenagem, água e esgoto - obra em andamento. Previsão: novembro de 2026

A implantação da dupla alimentação de energia elétrica nas estações do Dmae é uma iniciativa pioneira no Brasil. Com investimento superior a R$ 18 milhões, o projeto vai garantir o funcionamento ininterrupto das 37 principais unidades que integram os sistemas de drenagem urbana, abastecimento de água e esgotamento sanitário de Porto Alegre, reduzindo os impactos de eventos climáticos extremos sobre os serviços essenciais.

Com o novo modelo, as estações passarão a receber energia de duas fontes independentes. Em caso de falha em um dos alimentadores, o sistema realizará o acionamento automático da fonte alternativa, assegurando maior redundância, confiabilidade e agilidade na resposta a ocorrências. A medida reduz o risco de desabastecimento de água, extravasamento de esgoto e alagamentos.

A nova rede, destinada exclusivamente ao atendimento das estruturas do Dmae, terá mais de 41 quilômetros de extensão. A fiação aérea contará com proteção adicional para minimizar interferências provocadas pela vegetação. O projeto prevê, ainda, a instalação de 68 religadores telecomandados - equipamentos operados remotamente pela concessionária, capazes de acelerar o restabelecimento do fornecimento de energia em caso de falhas.

Dupla Alimentação

Ebab Moinhos de Vento - obra em andamento. Previsão: julho de 2026

A Estação de Bombeamento de Água Bruta (Ebab) Moinhos de Vento, localizada na rua Voluntários da Pátria, é a unidade operacional do Dmae responsável pela captação de água no Guaíba e pelo encaminhamento do recurso para tratamento.

A estrutura foi atingida pela enchente histórica de 2024, evidenciando a necessidade de intervenções voltadas à resiliência climática e à ampliação da segurança operacional do sistema. O projeto das obras já está concluído, com previsão de início das intervenções ainda no primeiro semestre de 2026.

Aumento da resiliência das Ebaps 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20 - obra em andamento. Previsão: abril de 2027

As obras de aumento de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20 foram iniciadas entre os meses de março e abril de 2026. As empresas vencedoras dos processos licitatórios atuam na consolidação dos projetos executivos - considerada a primeira etapa de intervenções. O trabalho é acompanhado pelo corpo técnico do Dmae.

As intervenções incluem a qualificação das estruturas prediais, além do fornecimento e da instalação de novos equipamentos eletromecânicos. Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades.

Tamponamento de redes de drenagem ligadas diretamente ao Arroio Dilúvio - obra em andamento. Previsão: agosto de 2026

Parte da bacia do Arroio Dilúvio possui um sistema de drenagem urbana que opera por gravidade, sem a necessidade de bombeamento. Este é o caso de áreas mais baixas do bairro Praia de Belas, por exemplo.

Para evitar o retorno da água pelas bocas de lobo durante períodos de cheia, o Dmae atua no tamponamento das redes de drenagem conectadas diretamente ao arroio. As tubulações que necessitam de intervenção foram identificadas e mapeadas durante os eventos de cheia registrados em 2024 e 2025.

Compra de materiais para uso imediato, em caso de contingência - em andamento. Previsão: agosto de 2026

O Dmae atua de forma preventiva na elaboração de orçamentos, atas de registro de preços e aquisição de materiais e equipamentos necessários para situações de contingência climática.

Entre os itens previstos estão materiais destinados à construção de barreiras móveis de proteção, além de argila, rachão, eletrocentros, bombas e equipamentos eletromecânicos. O objetivo é garantir maior agilidade na resposta operacional em caso de eventos extremos.

Toda a estrutura de suprimentos estará disponível para as equipes responsáveis pela operação do sistema de proteção contra cheias até agosto de 2026.

Dique do Sarandi, trecho 3 - obra em andamento. Sem previsão de conclusão.

A reconstrução do terceiro e último trecho do Dique do Sarandi depende do avanço do processo de acolhimento das famílias que residem na região. O trabalho é conduzido pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), por meio de programas habitacionais municipais, estaduais e federais.

As obras de proteção contra cheias serão retomadas assim que a área estiver liberada para a circulação do maquinário e a execução das intervenções previstas.

Obras a serem realizadas até agosto de 2026, antecipadas pelo prognóstico de El Niño

Proteção imediata dos pôlderes 7 e 8 - projetos em elaboração. Previsão de início: junho de 2026

O conceito original do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, desenvolvido na década de 1960, previa que a área - localizada na Zona Norte - permanecesse alagável. Contudo, em razão da crescente urbanização da região nas últimas décadas, houve a necessidade de atualizar a proposta incluindo a proteção destes pôlderes.

Em 2012, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Metroplan, elaborou um estudo que consistia na construção de dois novos diques na região. A proposta, que exigiria o acolhimento de cerca de mil famílias, se tornou tecnicamente inviável após a cheia histórica de 2024 - deixando desprotegida, entre outras áreas, a do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

Ainda que o projeto integre a bacia do Rio Gravataí, que está sendo estudada pelo governo estadual, a Prefeitura e o Dmae optaram por desenvolver, em paralelo, uma nova alternativa para a região. A demanda foi encaminhada à empresa Rhama Analysis, que é consultora do Município, e que apresentou como nova solução a criação de uma bacia de amortecimento e duas casas de bombas na área.

Considerando que as obras não poderiam ser concluídas ainda neste ano, a Prefeitura apresentou em 23 de abril uma solução imediata - que consiste no fechamento de galerias do Arroio Areia; a construção de um pequeno dique, com 100 metros de extensão; e o bombeamento da água represada na área alagável por meio de bombas submersíveis, que atuarão na direção do Rio Gravataí.

Proteção da Usina do Gasômetro - Previsão de início: agosto de 2026

O diagnóstico realizado após a enchente histórica identificou fragilidades relacionadas à proteção contra cheias na Usina do Gasômetro, um dos principais cartões-postais de Porto Alegre. As vulnerabilidades são resultado de intervenções executadas entre a conclusão do sistema de proteção da cidade, na década de 1970, e os primeiros eventos recentes de elevação significativa do nível do Guaíba, registrados a partir da década de 2020.

Para corrigir esses pontos, serão realizadas obras no interior do prédio histórico, com foco no reforço da segurança do sistema de proteção contra cheias. A previsão é de que as intervenções tenham início até agosto de 2026.

Correção da falha causada pela implantação de trilhos da malha ferroviária - Previsão de início: junho de 2026

A implantação de trilhos da malha ferroviária, na Zona Norte de Porto Alegre, fragilizou o sistema de proteção contra cheias da Capital. Para corrigir o problema, o Dmae conduzirá obras imediatas de resiliência na região.

Próximas obras no sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre

Resiliência das Ebaps 1, 2, 3, 4, 9, 13, 14, 15, 16 e 21

As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 1, 2, 3, 4, 9, 13, 14, 15, 16 e 21 integram os três últimos lotes de casas de bombas que passarão por obras de resiliência climática em Porto Alegre.

Além da qualificação das estruturas prediais, os projetos preveem o fornecimento e a instalação de novos equipamentos eletromecânicos. Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades.

Os editais de concorrência pública para contratação das empresas responsáveis pelas obras têm previsão de lançamento até o fim do primeiro semestre de 2026.

Aumento da capacidade do sistema de drenagem urbana

O crescimento urbano contínuo e acelerado de Porto Alegre ampliou a necessidade de modernização e aumento da capacidade do sistema de drenagem urbana. Em algumas regiões da cidade, ainda existem deficiências históricas que resultam em pontos recorrentes de acúmulo de água durante episódios de chuva intensa, como ocorre em áreas da Vila Farrapos e do bairro Humaitá, na Zona Norte.

Desde 2021, quando o Dmae assumiu a liderança da área de projetos em drenagem urbana, o corpo técnico da autarquia atua na elaboração de soluções voltadas à ampliação da capacidade das Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps), além da modernização das redes de micro e macrodrenagem das regiões atendidas pelo sistema existente. A partir de 2024, parte significativa desses projetos já recebeu aprovação das entidades financiadoras.

Nos próximos cinco anos, receberão melhorias regiões como os pôlderes 1 e 2, no entorno da Rodoviária; 3 e 4, no 4º Distrito; 5, 7 e 8, nos bairros Anchieta, Humaitá e Vila Farrapos; 10, no bairro Sarandi; e 12, 13, 14, 15 e 16, abrangendo os bairros Praia de Belas, Menino Deus, Cidade Baixa, Azenha e áreas próximas.

Mais de R$ 1,1 bilhão em recursos já estão disponíveis para a execução das intervenções, que deverão ser licitadas até o primeiro semestre de 2027. Em razão da complexidade e do porte das obras, a previsão é de conclusão das melhorias até 2031.

Reconstrução dos diques alterados por obras civis realizadas entre 1970 e 2020

Obras civis executadas em Porto Alegre entre as décadas de 1970 e 2020 modificaram características importantes do sistema de proteção contra cheias da cidade. Entre as intervenções realizadas nesse período, destacam-se obras voltadas à melhoria da mobilidade urbana, como nas avenidas Ernesto Neugebauer e Assis Brasil, além de projetos de requalificação da relação da cidade com o Lago Guaíba, como a implantação do Parque Moacyr Scliar, conhecido como trecho 1 da Orla do Guaíba.

Paralelamente ao desenvolvimento de soluções definitivas para esses pontos, o Dmae elaborou planos de contingência para atuação emergencial em caso de cheias intensas. As medidas preveem intervenções provisórias capazes de erradicar vulnerabilidades identificadas nessas regiões, garantindo a segurança operacional ao sistema de proteção da cidade.

Reconstrução dos diques localizados próximos à avenida Caldeia

A reconstrução dos diques localizados nas proximidades da avenida Caldeia, na divisa entre Porto Alegre e Cachoeirinha, integra o projeto da bacia do Arroio Feijó, conduzido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. O Dmae não possui participação direta na execução das intervenções.

As obras fazem parte de um conjunto de ações voltadas à ampliação da proteção contra cheias na Região Metropolitana. Ao todo, mais de R$ 2,5 bilhões serão investidos no projeto, que contempla Porto Alegre e outros municípios da região.

Sistema de Proteção Contra Cheias da Zona Sul

A concepção do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, desenvolvida entre as décadas de 1960 e 1970, contemplou principalmente as áreas mais urbanizadas da cidade à época. Nas décadas seguintes, porém, o crescimento urbano avançou de forma acelerada na Zona Sul, sem que as estruturas de proteção fossem ampliadas na mesma proporção.

Como consequência, regiões localizadas em cotas mais baixas em relação ao Guaíba - como os bairros Guarujá, Serraria e Lami - permaneceram mais vulneráveis a eventos de inundação.

As cheias registradas em 2023, 2024 e 2025, que provocaram impactos significativos nessas áreas, motivaram o início de um estudo inédito para a ampliação do sistema de proteção contra cheias em direção ao Extremo Sul da cidade, a partir do bairro Cristal.

Nesta etapa, foram priorizadas as regiões mais populosas e com menor altitude em relação ao Guaíba. Os bairros Guarujá e Serraria já contam com projetos em estágio avançado para implantação de diques, casas de bombas e outras estruturas consideradas fundamentais para ampliar a segurança da população.

Os detalhes das propostas, que seguem em elaboração, serão apresentados às comunidades locais ao longo de 2026.

Dmae