Quatro comportas do sistema de proteção contra cheias da Capital são fechadas permanentemente
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) concluiu nesta quinta-feira, 22, as obras de fechamento definitivo das comportas 8, 10, 13 e 14, localizadas no dique da avenida Castelo Branco. As intervenções, iniciadas há seis meses, culminaram na extinção das passagens que integravam o sistema de proteção contra cheias.
"Essas são aquelas obras que pouca gente vê, pois estão do lado do rio, mas que são essenciais para proteger Porto Alegre. Foi pela comporta 14 onde mais houve ingresso de água nos bairros Humaitá e Farrapos na enchente de 2024, por isso havia uma demanda muito forte da comunidade para o fechamento desta passagem. Estamos fechando outros trechos, além de reforçarmos aquelas comportas que permanecerão móveis por uma questão de mobilidade", - Prefeito Sebastião Melo.
Projetado na década de 1960 pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), o sistema de defesas contra inundações na Capital contava, até a enchente histórica de 2024, com 14 comportas para facilitar a mobilidade da cidade e o acesso à área portuária. No decorrer das últimas décadas, muitas delas deixaram de ser utilizadas - podendo, portanto, ser eliminadas com impacto mínimo à rotina da população.
Ao todo, sete passagens já deixaram de existir em razão das obras iniciadas pelo Dmae após a cheia. Além das quatro fechadas recentemente, foram extintos há pouco menos de um ano os antigos portões 3, 5 e 7, localizados no Muro da Mauá. A comporta 9 também deixará de existir. A obra, já em andamento, demanda o desvio de uma linha subterrânea de energia elétrica. A previsão é de conclusão nos próximos meses.
"Também estamos atuando na melhoria das comportas móveis. Os portões 1, 2, 4 e 6 foram revisados e encontram-se em condições adequadas para a operação, se necessário. Também está em andamento a fabricação das novas proteções das passagens 11 e 12, que foram reprojetadas para atender às necessidades da região - impactada, entre outras coisas, pelo curso do rio Jacuí", explica o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.
Etapas - A obra de fechamento definitivo de uma comporta exige, entre outras etapas, a sondagem do solo e a implantação de estacas, que dão sustentação à estrutura construída em concreto armado. No caso da comporta 14, por exemplo, a obra atingiu 20 metros de profundidade em relação ao solo. Com isso, é garantido o suporte a esforços hidráulicos e hidrodinâmicos em caso de novas cheias dos rios.
Recursos - A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias, iniciada após a enchente histórica de 2024, soma investimentos de R$ 11 milhões. Deste total, R$ 9,4 milhões foram aprovados junto ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), administrado pelo Governo do Estado.
Saiba como ficará cada comporta do sistema de proteção contra cheias:
Comporta 1 - Usina do Gasômetro: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade
Comporta 2 - Cais Embarcadero: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade
Comporta 3 - Mauá x Padre Tomé: extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 4 - Mauá x Sepúlveda: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade
Comporta 5 - Mauá: extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 6 - Catamarã: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade
Comporta 7 - Mauá: extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 8 - extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 9 - Castelo Branco: em obras para fechamento em concreto armado
Comporta 10 - Castelo Branco: extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 11 - São Pedro: em obras; será móvel e substituída por nova estrutura
Comporta 12 - Cairu: em obras; será móvel e substituída por nova estrutura
Comporta 13 - Castelo Branco: extinta por meio de construção em concreto armado
Comporta 14 - Castelo Branco x Voluntários da Pátria: extinta por meio de construção em concreto armado
Bianca Dilly
