Artigo: Capivaras: uma responsabilidade compartilhada
As capivaras que vemos hoje na orla do Guaiba e no Arroio Dilúvio são uma "herança" da enchente de 2024, quando dois animais chegaram à região. Pouco mais de dois anos depois, já são 28. E um crescimento que exige atenção. Qualquer decisão sobre animais silvestres deve considerar o bem-estar deles, a segurança da população e as caracterÃsticas do ambiente.
O municÃpio está disposto a realizar o manejo populacional.
Porém, conforme legislação, esse manejo somente pode ser feito com autorização de controle ambiental.
A proposta em estudo envolve captura e esterilização para evitar que o grupo continue crescendo de forma desordenada.
O resgate de animais dessa espécie, que vive em grupos e tem comportamento territorial, é uma operação complexa. Mas não se trata simplesmente de retirar as capivaras do espaço que escolheram habitar. Há também uma questão de segurança.
A presença delas em áreas próximas a vias de grande circulação aumenta o risco de acidentes.
Por isso, a intenção de fazer o controle populacional desse grupo. Essa medida evitaria reproduções sucessivas e dificultaria a chegada de outras colônias. Mas a Capital não tem autonomia para executar sozinha esse manejo.
Como dito, por se tratar de fauna silvestre, dependemos de autorização e participação dos órgãos competentes, especialmente Ibama e Sema, além de apoio técnico e financeiro.
Queremos uma solução que preserve os animais, proteja a população e respeite o ambiente. Esse desafio exige uma articulação de União, Estado e municÃpio, com apoio de especialistas.
Cabe a nós encontrar a melhor forma de conviver com essa nova realidade. Contamos com a população para que todos cuidemos desses animais, evitando aproximação (de humanos e pets) e entendendo que eles não são predadores. Só terão reação agressiva ao se verem ameaçados.
A fauna silvestre não é um problema a ser eliminado, mas uma riqueza a ser apreciada com respeito e responsabilidade.
Betina Worm
Vice-prefeita de Porto Alegre
*Artigo publicado na edição de 7 de setembro do jornal Zero Hora.
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Camila Saccomori