Márcia Tafarel defende o fortalecimento do futebol feminino em visita a Porto Alegre
Da infância correndo atrás da bola nas ruas de Bento Gonçalves até a carreira na seleção brasileira de futebol feminino, o que não faltam na vida de Márcia Tafarel são boas histórias para contar. Em passagem pelo Rio Grande do Sul para visitar amigos e familiares, a ex-jogadora gaúcha visitou a Prefeitura de Porto Alegre para conversar com a titular da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo Feminina de Futebol 2027, Débora Garcia. Compartilhando gols memoráveis na tela do celular, com fotos e vÃdeos históricos, Márcia celebra a perspectiva de dar ainda mais visibilidade ao esporte pelo qual é apaixonada.
Acompanhada da amiga Silvana Vilodre Goellner, pesquisadora da temática das mulheres no futebol, Márcia resumiu sua trajetória esportiva, destacando a necessidade de combater o preconceito para garantir o respeito institucional ao futebol feminino.
"Precisamos de uma evolução cultural para eliminar o preconceito de achar que mulher tem que jogar como homem. Não, deixa a mulher jogar como ela joga", comentou Márcia. "Vejo comentários de que o futebol feminino é muito chato, é muito lento, mas é preciso deixar de lado essa comparação. A gente tem a nossa fisiologia, a gente joga de uma forma diferente da masculina. Não é a mesma força fÃsica. Mas é muita qualidade técnica, de chute, de drible."
Márcia e Silvana lembraram que por décadas sequer havia autorização para mulheres jogarem futebol. O Decreto-Lei 3.199 de 1941 baniu o esporte por ser considerado "incompatÃvel com a natureza feminina", uma barreira que durou quase 40 anos até ser revogada.
Incentivo - Para incentivar que mais meninas pratiquem a modalidade, o centro das ações precisa começar na sala de aula, defende Débora Garcia. Ou melhor, nos ginásios e nas quadras esportivas de todas as escolas. "Temos que trabalhar o futsal e o futebol desde cedo para as estudantes. Vamos capacitar os professores para que no futuro, quem sabe, surja uma nova Tafarel em mais escolas gaúchas", comentou Débora, à frente da Secopa 2027, que tem como principal missão coordenar, articular e executar as ações necessárias para a realização do evento em Porto Alegre. Nesta quinta-feira, a secretaria irá divulgar um seminário para a qualificação do ensino esportivo no ambiente escolar.
Agora, radicada na Califórnia, nos Estados Unidos, há 22 anos, onde ensina futsal a crianças e adolescentes, Márcia retorna a Porto Alegre somente para a Copa 2027, para participar de tudo o que for possÃvel. Até lá, virou conselheira turÃstica informal de famÃlias americanas, pais de suas alunas nas escolinhas esportivas, que querem fazer turismo no Brasil durante a competição. "Eu digo a todos que venham ao Rio Grande do Sul, minha terra natal, que tem o melhor churrasco do mundo, vinhos fantástico e bons passeios".
Copa Feminina 2027 - O Brasil irá sediar o próximo grande evento mundial do futebol: a Copa do Mundo Feminina de 2027. A primeira da história a ser sediada na América do Sul e marcada para ser disputada entre 24 de junho e 25 de julho. São 32 seleções em 64 jogos, e oito cidades escolhidas entre 12 candidaturas: além de Porto Alegre, há Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador e BrasÃlia.
A Fifa deve divulgar até o mês que vem o mapa de jogos para cada sede, isto é, quantos jogos de fase de grupos e quais mata-matas cada cidade-sede recebe. O sorteio dos grupos está previsto para o fim deste ano. A final da Copa Feminina está marcada para ser realizada no Maracanã, no Rio de Janeiro.
Lissandra Mendonça
