Artigo: Cuidar das pessoas é cuidar da cidade
Em 2025, Porto Alegre investiu R$ 309,3 milhões na polÃtica de assistência social. A cidade mantém uma rede formada por 98 Organizações da Sociedade Civil, vinculadas por 146 termos de parceria, que amplia a capacidade de atendimento do municÃpio. Somente nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de VÃnculos são 9.096 vagas para crianças de 6 a 14 anos, 2.058 para adolescentes de 15 a 17 anos, 640 vagas do Pro Jovem, 90 para adultos e 1.570 destinadas à população idosa. Mais do que números, esses investimentos representam vidas protegidas e oportunidades construÃdas diariamente.
Cada uma dessas vagas significa uma criança mais distante do trabalho infantil, um adolescente menos exposto à violência, um jovem com acesso à qualificação, um idoso acolhido em um espaço de convivência e uma famÃlia fortalecida para superar a vulnerabilidade. É essa rede silenciosa que impede que milhares de pessoas sejam empurradas para a exclusão, para a situação de rua ou para a criminalidade.
A assistência social raramente ocupa espaço nas conversas do dia a dia. Talvez porque, quando funciona, ela se torna invisÃvel para quem não depende dela. Mas bastou a tragédia das enchentes de 2024 para que Porto Alegre percebesse sua verdadeira dimensão. Em meio ao maior desastre climático da história, a atuação integrada entre poder público, organizações sociais e voluntários mostrou que investir em assistência social é proteger vidas antes, durante e depois das crises.
Esse trabalho acontece diariamente nos 23 CRAS e 9 CREAS, além das entidades parceiras presentes nos territórios. São equipes que acolhem, orientam, fortalecem vÃnculos familiares, promovem inclusão produtiva e criam oportunidades para que as pessoas recuperem sua autonomia.
O Brasil precisa ampliar o debate sobre o financiamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Mais do que transferir renda, é necessário investir em qualificação profissional, inclusão produtiva, empreendedorismo social e fortalecimento comunitário. Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não se mede apenas pelo crescimento econômico, mas pela capacidade de oferecer dignidade e oportunidades para todos.
Porto Alegre tem avançado nessa direção. O trabalho conjunto entre poder público, organizações da sociedade civil, voluntários e trabalhadores do SUAS demonstra que cuidar das pessoas é, acima de tudo, investir no desenvolvimento da cidade.
Nelson Beron
Secretário-adjunto de Assistência Social
Artigo publicado na edição de 4 de agosto de 2026 do Jornal do Comércio
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Cristiano Vieira