Museu de Arte do Paço abre mostra de Carlos Tenius
O Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico) inaugura, nesta sexta-feira, 8, Dia do Artista Plástico, a exposição Carlos Tenius – Voo livre. Com curadoria de Eduardo Veras e Paula Ramos, a mostra foi concebida especialmente para o espaço, no âmbito da homenagem prestada pela Coordenação de Artes Visuais ao artista, na última edição do Prêmio Açorianos de Artes Plásticas (2025). A visitação vai de 11 de maio a 10 de julho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Tendo como eixo a obra-prima do escultor, o Monumento aos Açorianos, de 1974, a exibição propõe que as questões temáticas, formais e técnicas não são exclusivas e nem singulares, circunscritas a certo ponto da trajetória do artista. Segundo os curadores, elas “[...] lampejam e relampejam em diferentes momentos, antes e depois da fixação do monumento em espaço público. Assim, a ideia de voo, o embaralhamento de corpos humanos, a sÃntese formal, a precisão dos cortes, o peso e a rigidez dos materiais, a ilusão de movimento e o vigor da revoada, marcas indeléveis do Monumento aos Açorianos, já se faziam presentes nos primeiros trabalhos do escultor e seguiram reluzindo, em maior ou menor grau, em outras peças imaginadas por ele, sejam pequenas ou monumentaisâ€.
Esculturas - A mostra apresenta algumas das primeiras esculturas do artista, produzidas em seu perÃodo formativo no antigo Instituto de Belas Artes, além de diversos desenhos preparatórios para o monumento, até então inéditos. Exibe, ainda, recortes de jornal, fotografias e cadernos privados. A seleção também inclui a primeira maquete em aço dos Açorianos, que Tenius preserva em casa, em sua sala de estar, e a segunda maquete, ainda maior, também em aço, com quase três metros de extensão. A peça, que faz parte do acervo artÃstico municipal, subiu do porão da Prefeitura de Porto Alegre para figurar na exposição.
Açoriano - O visitante terá a chance de conferir um açoriano, de quase dois metros de altura. Previsto nos desenhos e até nas maquetes do monumento, ele não entrou na montagem final. Na hora da fixação, em 1974, a intuição de Tenius sugeriu que o personagem era desnecessário, que ele estava, por assim dizer, sobrando. O escultor então o levou para o sÃtio-ateliê que mantém em Viamão, instalando-o em meio à natureza. Ao imaginar que a peça poderia tombar, por falta de equilÃbrio, teve o cuidado de cortar-lhe as pernas. Por mais de meio século, o fragmento permaneceu solitário, na cidade vizinha, mas agora retorna a Porto Alegre. Esta é sua primeira aparição pública.
A exposição inclui uma seleção de fotografias históricas, que registram etapas do processo que tornou a obra possÃvel: fundição, montagem e festa de inauguração do Monumento aos Açorianos, há cinco décadas.
Carlos Tenius – voo livre
Curadoria: Eduardo Veras e Paula Ramos
Abertura: sexta-feira, 8, às 18h
Visitação: de 11 de maio a 10 de julho de 2026, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Onde: Museu de Arte do Paço – Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico – Porto Alegre
Mais informações: acervo@portoalegre.rs.gov.br
Tatiana Bandeira
