Monitoramento fortalece cuidado à doença falciforme em Porto Alegre
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ampliou, em 2025, o monitoramento de pessoas com doença falciforme em Porto Alegre. A partir da estruturação da notificação dos casos e da integração entre a Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (EVDANT) e a área técnica de Saúde da População Negra, o município passou a acompanhar de forma mais precisa internações, reinternações e o vínculo dos pacientes com a rede de saúde.
Ao longo de 2025, 58 pessoas com doença falciforme precisaram de internação hospitalar na Capital. Entre esses pacientes, 29 apresentaram pelo menos uma reinternação. No total, foram registradas 117 internações no período, sendo que 103 delas (88%) ocorreram em decorrência de crises relacionadas à doença. O monitoramento também apontou que 76% dos pacientes que reinternaram já possuíam vínculo com a rede municipal de saúde.
A organização dos dados pela SMS permitiu avançar da simples contabilização de casos para uma atuação mais estratégica, baseada na identificação de vulnerabilidades e na busca ativa de pacientes com maior risco de agravamento em Porto Alegre. Entre as ações previstas estão o monitoramento contínuo dos casos, o fortalecimento do acompanhamento na Atenção Primária à Saúde e a articulação entre os diferentes pontos da rede assistencial para garantir a continuidade do cuidado.
Conforme a responsável técnica pelas Políticas de Saúde da Atenção Primária, Gisele Gomes, o acompanhamento contínuo desses usuários amplia as estratégias preventivas para evitar crises e novas internações. “O objetivo é reduzir a morbidade e a mortalidade associada à doença falciforme, prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida das pessoas atendidas pelo SUS em Porto Alegre”, destaca.
Perfil dos pacientes - A análise identificou características comuns entre os pacientes com maior frequência de retorno aos serviços hospitalares. Entre os 29 reinternadores (que internaram múltiplas vezes), 62% são mulheres e 69% são pessoas negras. A maioria é formada por jovens de até 19 anos, que representam 58% do grupo. A Coordenadoria Leste concentra 41% dos casos de reinternação.
O que é - A doença falciforme é uma condição genética e hereditária que afeta predominantemente a população negra e está entre as prioridades da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Em 2023, o Ministério da Saúde incluiu a doença na Lista Nacional de Notificação Compulsória, medida que fortaleceu a vigilância e a produção de informações para subsidiar políticas públicas.
Cristiano Vieira