Saúde destaca trajetória de duas profissionais no Dia Internacional da Mulher

08/03/2026 06:55
Cristine Rochol/PMPA
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Nadia Cunha é a única mulher condutora de ambulâncias do Samu Porto Alegre

A rotina das mulheres que atuam no mercado de trabalho é parecida em qualquer lugar do mundo: dividir compromissos da casa e da família com a rotina profissional. Mas cada história tem suas peculiaridades. Para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8, conhecemos a realidade de duas mulheres que integram o quadro da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para saber como elas encaram o dia a dia.

Uma é motorista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a outra dirige um dos maiores hospitais de trauma do Estado, o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ambas executam tarefas ocupadas majoritariamente por homens. Duas trajetórias diferentes unidas pelo propósito de salvar vidas, sem desistir dos sonhos, tendo a família como principal fonte de motivação.

Nadia Cunha, 48 anos, é a única mulher condutora de ambulâncias do Samu Porto Alegre, cargo que ocupa há um ano e meio, somando 24 anos de profissão. Já trabalhou na entrega de correspondências dos Correios, consolidando-se como motorista tempos depois, área da qual sempre gostou. Em 1996, foi cobradora de ônibus, desbravando um espaço no qual os homens também eram maioria.

Quando decidiu ser motorista do Samu, não imaginava que seria a única mulher entre mais de 80 homens. Na empresa privada em que trabalhou como condutora antes de assumir uma das ambulâncias do 192, dividia a função com outras duas mulheres. Hoje, no chamado do médico regulador, a primeira coisa que Nadia recebe é o local de destino. “Quando assumo o volante, todo o resto é esquecido. Fico focada exclusivamente em chegar no endereço com a equipe em segurança e assim também quando estou deslocando com o paciente. Cada minuto a menos no tempo é a esperança da vítima que estou conduzindo.”

Mãe de três filhos, vê na família a motivação para ir atrás dos objetivos. “Meus filhos são minha maior motivação, eu sei que eles têm orgulho de saber que estou aqui realizando um sonho.” Para as mulheres que também querem trabalhar em profissões antes consideradas só masculinas, a dica é não desistir. “Se eu tivesse desistido quando me diziam que não daria certo, não teria dado nem o primeiro passo”, diz Nadia.

Cristine Rochol/PMPA
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Tatiana Breyer é a segunda mulher a ocupar a direção do Hospital de Pronto Socorro

Dedicação ao HPS – Tatiana Razzolini Breyer, 51 anos, é diretora-geral do HPS desde 2019. Enfermeira graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul há 30 anos, é a segunda mulher a ocupar a direção, cargo que resume como desafiador. São 1,4 mil trabalhadores, com atendimento médio mensal de aproximadamente 10 mil pessoas, de 250 a 400 por dia. “Eu não faço nada sozinha, tenho uma equipe de diretores muito dedicada. Além disso, temos pessoas experientes no atendimento ao trauma que trabalham conosco.”

Para ela, comandar uma instituição deste quilate impõe aperfeiçoamento constante, busca de um modelo de gestão que torne o hospital sustentável, articulação com vários outros equipamentos de saúde e, principalmente, garantir que tudo funcione, sem falhas, sem desassistência. “Como hospital público, nossa principal missão é garantir assistência para o maior número de pessoas do nosso perfil assistencial, sem que tenhamos erros ou inconformidades inerentes ao fato de estar num hospital”, avalia.

Tatiana acredita que ser mulher é desafiador em qualquer posto de trabalho, ainda mais em atividades com cargos estratégicos. Em profissões na área da saúde, por exemplo, elas já são maioria. “A mulher tem uma capacidade de cuidado que é extraordinária, então, eu cuido deste hospital assim como eu cuido das pessoas que eu amo, como eu cuido do meu trabalho e das coisas que eu faço”, comenta.

Àquelas que almejam ocupar um cargo de gestão, a enfermeira destaca a importância de investimento técnico, inteligência emocional para saber se relacionar com as pessoas, cultivar valores que norteiam as condutas pessoais e transmitir confiança. “O sucesso é uma jornada longa, não é de uma hora para outra que tu vais conseguir alcançar as metas estabelecidas para a tua vida.”

Tatiana considera uma grande conquista pessoal e profissional ser a segunda mulher a assumir a direção-geral do HPS em 81 anos da instituição. “O mundo do trabalho exige que tenhamos capacidade de ser multitarefas: somos mães, mulheres, donas de casa em tempo integral e essa tripla jornada cobra caro. Uma vida familiar equilibrada é o que me sustenta e me dá forças para seguir. Além disso, encaro a gestão do hospital como uma missão de vida.”

Vanessa Conte e Cristiano Vargas

Gilmar Martins