Vigilância em Saúde monitora as Doenças Tropicais Negligenciadas

30/01/2026 17:05

A Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) de Porto Alegre atua de forma permanente no monitoramento, prevenção e controle das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), um conjunto de enfermidades associadas a contextos de maior vulnerabilidade social e consideradas prioritárias pelo Ministério da Saúde. O trabalho ganha destaque neste 30 de janeiro, data reconhecida mundialmente como um momento de reflexão sobre o impacto dessas doenças na saúde pública.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui mais de 20 enfermidades na lista de DTNs. No Brasil, as mais frequentes são doença de Chagas, esquistossomose, hanseníase, filariose linfática, leishmaniose tegumentar, leishmaniose visceral, oncocercose, raiva humana, dengue e tracoma.

As DTNs são influenciadas por processos de desigualdade social e pela vulnerabilização de territórios, comunidades e pessoas inseridas em contextos econômicos, sociais e ambientais desfavoráveis, sobretudo em áreas tropicais e subtropicais, como é o caso do Brasil. Segundo a OMS, mais de 1,7 bilhão de pessoas em todo o mundo estão sob risco, demandando intervenções anuais de prevenção e tratamento para ao menos uma dessas doenças.

A publicação mais recente sobre o tema no país, lançada pelo Ministério da Saúde em 2024, apresenta dados referentes ao quinquênio 2016–2020. No período, foram registrados 583.960 novos casos de DTNs no Brasil, com as maiores taxas de detecção nas regiões Norte (152,77 casos por 100 mil habitantes) e Nordeste (88,24 por 100 mil). A sobreposição de casos foi verificada em 88% dos municípios brasileiros, com maior ocorrência de hanseníase, leishmanioses e acidentes ofídicos.

Em Porto Alegre, a DVS monitora e executa ações de vigilância epidemiológica e ambiental relacionadas a essas doenças, consideradas prioritárias pelo Ministério da Saúde com vistas à sua eliminação. Todos os atendimentos realizados pelo SUS são acompanhados pela DVS, incluindo tanto residentes de Porto Alegre nascidos no Brasil quanto pessoas imigrantes.

A enfermeira Fabiane Soares destaca informações da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Os problemas decorrentes do processo de deslocamento, as condições precárias de moradia e trabalho, as barreiras linguísticas e culturais no acesso aos serviços de saúde, bem como o desconhecimento do SUS e dos tratamentos recebidos no país de origem e de destino, resultam em maior vulnerabilidade dessa população'', afirma Fabiane.

Um exemplo de iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre é a produção de um folder informativo sobre hanseníase em crioulo haitiano, elaborado em dezembro de 2025, com o objetivo de qualificar o atendimento a essa população. “A hanseníase apresenta elevada morbidade, principalmente em função das incapacidades físicas permanentes e deformidades. O material busca superar a barreira linguística e garantir o acesso aos serviços públicos por parte de um público específico”, explica a enferneira. No Haiti, a hanseníase é uma doença endêmica, cuja incidência é influenciada por fatores culturais.

Em 2025, a DVS lançou um boletim epidemiológico específico sobre hanseníase. Outra publicação relevante reúne dados sobre a saúde da população imigrante no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre.

Patrícia Coelho

Lissandra Mendonça