Instalação de bomba flutuante duplica capacidade de drenagem no bairro Guarujá

06/09/2026 08:00
Luciano Lanes / PMPA
DMAE
Medida acelera o escoamento da água da chuva durante episódios de precipitação intensa

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) substituiu as bombas móveis instaladas desde julho no bairro Guarujá, na Zona Sul, por uma bomba flutuante com capacidade de movimentar até mil litros de água por segundo. Com a mudança, a capacidade de drenagem disponível na região, que era de 450 litros por segundo, mais que dobrou.

A medida acelera o escoamento da água da chuva durante episódios de precipitação intensa e integra as ações de contingência adotadas no bairro, que está fora da área protegida contra cheias. A estratégia foi necessária para reduzir os impactos da elevação do nível do Guaíba sobre o sistema de drenagem local.

"No bairro Guarujá, quando o nível do Guaíba se eleva, a diferença de nível entre o manancial e a rede de drenagem pode inverter o sentido do escoamento, fazendo com que a água avance pelas tubulações em direção às ruas. Por isso, há dois meses, bloqueamos a ligação direta entre as redes de drenagem e o Guaíba e passamos a utilizar sistemas de bombeamento para retirar a água da chuva que cai sobre a área urbana", explica o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.

Bombas flutuantes - O Dmae investiu R$ 26,5 milhões na aquisição de 17 bombas flutuantes de grande porte. Os equipamentos têm especificações equivalentes às bombas utilizadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), emprestadas ao Município durante a cheia histórica de 2024.

As bombas são chamadas de flutuantes porque permanecem sobre a água durante a operação. Com cerca de 10 toneladas cada, não dependem de estruturas fixas e podem ser transportadas para diferentes regiões da cidade conforme a necessidade.

Guarujá - Localizado fora da área protegida contra cheias, o bairro demanda estratégias específicas para reduzir os impactos da elevação do Guaíba. Atualmente, as medidas adotadas pelo Dmae incluem a alteração do sistema de drenagem, o bloqueio das conexões com o manancial e a instalação de um dique provisório construído com barreiras móveis. A solução busca reduzir os impactos das cheias enquanto são concluídos os estudos para a implantação de uma estrutura definitiva de proteção no bairro.

Zona Norte - Foi concluída no final do mês de agosto a instalação das comportas que protegerão o arroio Passo das Pedras de eventuais cheias do rio Gravataí. Com isso, a estrutura de proteção dos pôlderes 7 e 8, localizados entre os bairros Anchieta e Sarandi, passou a estar operacional. Desde então, as equipes atuam nos últimos ajustes da obra, incluindo a elevação do novo dique à cota de 5,8 metros e a conclusão da estrutura de proteção junto ao Arroio Areia.

Usina do Gasômetro - A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) retoma no próximo 16 a instalação das comportas nas redes que ligam o prédio da Usina do Gasômetro ao Guaíba. As obras, já iniciadas, serão concluídas até o mês de novembro.

Dupla alimentação de energia - Permanece em andamento a implantação de dupla alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae - incluindo 22 casas de bombas de drenagem urbana. A obra, executada pela CEEE Equatorial, tem investimento de R$ 18 milhões e será concluída até novembro.

Casas de bombas - Estão em andamento as obras de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. Já a licitação para as casas de bombas 2, 9 e 21 está na fase de análise das propostas. Em todas as unidades, parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente.

Diques - Equipes da prefeitura, lideradas pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), atuam na demolição das residências desocupadas no dique do Arroio Areia. As famílias que residiam na chamada Vila Dique foram acolhidas por meio dos programas Compra Assistida e Estadia Solidária.

Já no dique do Sarandi, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) segue atuando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, com dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.

Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro de 2025. O Muro da Mauá, no Centro Histórico, também recebeu intervenções, com revisão estrutural e correção das patologias identificadas.

Ebabs Moinhos de Vento e Menino Deus - As obras de proteção nas Estações de Bombeamento de Água Bruta (Ebabs) Moinhos de Vento e Menino Deus foram concluídas. Nas duas estruturas, as intervenções incluíram a construção de câmaras de descarga junto aos poços de visita, solução que impede a entrada da água das cheias pelas estruturas de acesso às tubulações.

Condutos forçados - Também estão finalizadas as obras de proteção contra cheias nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia. Novas tampas herméticas, projetadas para suportar a pressão exercida pela água em eventuais elevações do nível do Guaíba e do rio Jacuí, foram instaladas junto às tubulações.

Malha ferroviária - Outra iniciativa concluída é a proteção da cidade junto à malha ferroviária, no bairro Humaitá. A obra eliminou um ponto de vulnerabilidade existente no sistema desde a implantação da ferrovia, quando a cota de proteção foi reduzida. Os trabalhos ocorreram em área concedida pela União à empresa Rumo Logística.

Comportas - A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias está concluída. Das 14 passagens existentes no sistema até a cheia histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Já as comportas 11 e 12 foram integralmente substituídas por novas estruturas móveis, enquanto as comportas 1, 2, 4 e 6 passaram por um processo completo de recondicionamento.

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