Museu de Arte do Paço exibe exposição da artista francesa Léa Pognant

19/10/2026 16:42
Julien Chauvet
CULTURA
Ligne d’eau [Linha d’água] apresenta a instalação Les larmes d’Oxum (As Lágrimas de Oxum), da artista francesa Léa Poignant

Na quinta-feira, 22, às 19h, inaugura no Museu de Arte do Paço (Mapa), na Praça Montevidéu, 10, no Centro Histórico, a exposição Ligne d’eau [Linha d’água], da artista francesa Léa Poignant. A mostra integra a programação do 9º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea, que promove o intercâmbio artístico e cultural entre Brasil e França por meio de um programa cruzado de residências artísticas. A exposição é uma parceria da Aliança Francesa Porto Alegre, a Remanso – Instituto Cultural e a Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Coordenação de Artes Visuais. A visitação acontece de sexta-feira, 23, até o dia 28 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Com curadoria de Cristina Barros, vencedora do Prêmio Jovem Curador(a) Aliança Francesa, Ligne d’eau [Linha d’água] apresenta a instalação Les larmes d’Oxum (As Lágrimas de Oxum), composta por 63 elementos em papel A2, totalizando 5,63 m x 3,15 m, em gravura e linóleo, com tinta à base de água sobre papel. Na obra, a artista incorpora simbolicamente a figura de Oxum como uma camada a mais para pensar as águas do Guaíba. Foram 60 dias de contemplação sobre a relação do lago com a cidade. Léa também mergulhou em documentos disponíveis em bibliotecas sobre os imaginários relacionados à água nas religiões afro-brasileiras.

“A partir das conversas que acompanharam o desenvolvimento da residência, a artista tomou conhecimento do Monumento à Mãe Oxum, localizado na Orla do bairro Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre. O encontro com a figura de Oxum, orixá associada às águas doces, abriu outra possibilidade de leitura da relação da paisagem com o Guaíba, aproximando a pesquisa da dimensão simbólica e cultural das águas que irrigam o território”, diz a curadora.

Uma cidade sob pressão - “Durante minha residência, tive pouco contato com o Guaíba. Na cidade, cercada por edifícios, muitas vezes dele eu só conseguia perceber alguns fragmentos, e podia passar vários dias sem sequer avistá-lo. Ao caminhar pelas ruas, passei a observar sobretudo as texturas urbanas que me cercavam – as fachadas, os muros, as ruas, os diferentes pisos. Senti a pressão e a forma como ela parece, pouco a pouco, apagar a presença da natureza. Foi então que, durante os dias e as noites de chuva, comecei a imaginar que essa natureza também buscava nos responder; que a água, a chuva e o lago encontravam outras formas de se fazer presentes e de nos lembrar de sua existência”, conta Léa.

Designer gráfica e artista, Léa Poignant, 30 anos, nasceu na zona rural de Bressuire, uma pequena cidade no departamento de Deux-Sèvres, na Nouvelle-Aquitaine. Há alguns anos, ela vem desenvolvendo um laboratório sensível, composto por desenhos, fotografias, gravuras, objetos e livros. No primeiro semestre, a convite da cidade de Bressuire, Léa apresentou a exposição Bocage na Capela de Saint-Cyprien, um retorno à paisagem que a viu crescer e que continua a nutrir sua visão artística e concebida como um espaço para contemplação, movimento e meditação.

Assim como em Bressuire, o Guaíba torna-se em suas obras um passeio sensorial, em que os visitantes são convidados a dedicar tempo para observar, sentir e interagir com a paisagem.

Ivani Schütz

Tatiana Bandeira