Artigo: Quanto custa perder a CMPC?
Como desenvolvimentista, preocupa-me o impasse em torno da nova planta da CMPC em Barra do Ribeiro. O projeto, estimado em R$ 27 bilhões, tem potencial para transformar a Metade Sul, mas segue preso a licenças, insegurança jurÃdica e disputas ideológicas.
A fábrica prevê 12 mil empregos diretos durante a obra e 3,5 mil permanentes na operação. Também pode gerar R$ 1,1 bilhão em ICMS, 75 mil hectares de floresta plantada com produtores locais e investimentos logÃsticos capazes de reposicionar a região. Só o terminal portuário movimentaria 3 milhões de toneladas por ano.
Para um Estado que perdeu 12% do PIB industrial em dez anos, travar um projeto dessa magnitude é um luxo que não podemos nos permitir. Desenvolvimento sustentável não é paralisia. É combinar crescimento econômico, responsabilidade ambiental, avanço social e oportunidade real.
Estima-se que cada mês de atraso custe R$ 180 milhões à empresa e R$ 40 milhões em impostos ao RS. Barra do Ribeiro, com IDH de 0,689 e 23% da população em pobreza, não pode ser refém de uma burocracia que trata todo investimento como suspeito.
Desenvolvimento não espera. Capital se move. Sem regras claras, prazos definidos e segurança jurÃdica, o próximo bilhão será investido em outro Estado ou paÃs. O Uruguai entendeu isso ao aprovar uma planta da UPM em 14 meses e hoje colhe os frutos dessa decisão.
Não defendo cheque em branco para empresa alguma. Defendo previsibilidade. A CMPC opera há cerca de 20 anos no Estado, cumpre uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e já foi eleita três vezes a empresa florestal mais sustentável do planeta pelo Ãndice Dow Jones. Se nem isso for suficiente, precisamos admitir que o RS desistiu da indústria.
A saÃda passa por três princÃpios: prazos no licenciamento, segurança jurÃdica para contratos locais e um pacto regional entre governo, prefeituras, sindicatos, produtores rurais e entidades de classe. Esta não é uma disputa entre vencedores e vencidos. No cenário atual, todos perdem.
Ou destravamos projetos estruturantes, ou passaremos a administrar a decadência. Minha escolha é clara: licença já, obra já, emprego já. O RS não tem tempo a perder.
Susana Kakuta
Secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos de Porto Alegre
Artigo publicado na edição de 6 de julho no Jornal do Comércio
Lissandra Mendonça