Artigo: Laçador: resgatando um sÃmbolo da Capital dos gaúchos
Na memória de quem chegava a Porto Alegre pela BR-116, estava o monumento em homenagem à imagem do gaúcho pilchado, inspirado no tradicionalista e poeta Paixão Cortes. Criada pelo escultor Antônio Caringi, a imponente estátua do Laçador, esculpida em bronze, foi inaugurada em 20 de setembro de 1958, na avenida dos Estados, onde permaneceu até 2007.
Devido à construção de um viaduto no acesso à cidade, foi necessária a mudança de endereço do monumento. Foi criado, então, o SÃtio do Laçador: uma área de visitação com quatro mil metros quadrados, localizado em frente ao Aeroporto Salgado Filho, onde as pessoas podem parar e contemplar a obra.
Apesar do cuidado da prefeitura com a conservação do local, os gaúchos foram se distanciando desse importante sÃmbolo ao longo do tempo, também por estar em um ponto mais afastado do que a sede original. A escultura segue registrada em inúmeros materiais publicitários, mas há a sensação de que muitos porto-alegrenses não conhecem sua história. Para os mais antigos, a chegada à Capital era marcada pelo encantamento com o Laçador. Já para as novas gerações, a imagem é menos reconhecida.
Como forma de resgate à memória e ao patrimônio, a Secretaria de Parcerias lançou um edital para adoção do espaço, que resultou na escolha do projeto batizado de SÃtio do Laçador Vive. Concebido pelo trio de produtores culturais VÃvian Casassola, Pablo EspÃndola e Mauro Schneider, em parceria com a rede varejista de lojas Casa Maria, a proposta vai além da manutenção: contempla também a ativação cultural e o fomento ao turismo e à economia criativa.
A parceria também representa um marco de gestão para o municÃpio
A programação irá contemplar apresentações do espetáculo Laçador _ Inspiração, Paixão e Força, com EspÃndola encenando a estátua viva. O grupo também promoverá excursões, visitas escolares e ações de educação patrimonial. Outra novidade será o Armazém do Laçador, que irá comercializar produtos tÃpicos da gastronomia gaúcha, como alimentos coloniais e da agricultura familiar, além de vestuário e utensÃlios. A previsão é que as atrações estejam funcionando até o fim deste ano.
A parceria também representa um marco de gestão para o municÃpio: vai integrar diversas secretarias em torno dos aspectos culturais e econômicos do projeto, em um exemplo de interação entre o setor público e o privado.
Mais do que apenas a gestão de um espaço, a iniciativa propõe um novo olhar para este sÃmbolo histórico da Capital e todos os gaúchos. Neste mês de Festejos Farroupilhas, o Laçador volta a ocupar o lugar que sempre foi seu: o de primeira imagem de Porto Alegre na memória de quem chega.
Artur Lorentz
Secretário Municipal de Parcerias de Porto Alegre
*Artigo publicado em 18 de setembro de 2026 no site do jornal Zero Hora.
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Camila Saccomori