Primeira floresta de bolso de Porto Alegre se consolida com mudas de dois metros

03/09/2026 12:50

A primeira floresta de bolso de Porto Alegre começa a se comportar como floresta. Oito meses após o plantio, realizado em dezembro de 2025, as embaúbas já ultrapassam dois metros de altura, e as árvores avançam para a formação da cobertura vegetal e do sombreamento do solo. A microfloresta ocupa cerca de 600 metros quadrados entre a avenida Padre Cacique e o viaduto Abdias do Nascimento, no bairro Praia de Belas, com cerca de 600 árvores nativas.

O balanço consta do relatório técnico elaborado pelo paisagista e botânico Ricardo Cardim, criador do método Floresta de Bolso. Segundo o documento, a maior parte das mudas está bem folhada e apresenta crescimento compatível com a idade, e a vegetação rasteira permanece baixa e protege o solo contra erosão e ressecamento.

"As mudas tinham em torno de 1,50m e 1,60m. Hoje já temos mudas com até dois metros de altura, o que é normal para o desenvolvimento, e outras de menor porte, mas todas perfeitamente adequadas e sincronizadas dentro do espaço”, afirma o coordenador de Arborização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), Diogo Del Ré.

"Ao longo dos próximos seis meses a um ano, esperamos que esse desenvolvimento se acentue ainda mais. As árvores de maior porte crescem mais rapidamente, e as de sombra crescem de forma mais lenta, mas dando aquela proteção fundamental ao solo, mantendo a matéria orgânica e a permeabilidade, e gerando um ambiente favorável ao desenvolvimento como um todo”, completa o coordenador.

“O crescimento das mudas e a formação dos diferentes estratos de vegetação mostram que a floresta está se estabelecendo. À medida que ela se desenvolve, passa a oferecer melhores condições de abrigo e alimento para a fauna e pode se integrar à rede de sistemas verdes da cidade, ampliando a biodiversidade e os benefícios ambientais desse pequeno espaço”, defende a diretora de Áreas Verdes da Smamus, Verônica Riffel.

O relatório recomenda irrigação em períodos prolongados de calor e estiagem, adubação organomineral a cada três meses e monitoramento de formigas cortadeiras. Também orienta preservar arbustos e ervas nativas, controlar manualmente capins altos, manter a biomassa retirada como cobertura do solo e evitar roçadeiras, que podem danificar as mudas.

Sobre a Floresta de Bolso — O método, criado por Ricardo Cardim, recupera a flora nativa em pequenos espaços urbanos com alta densidade de mudas. A iniciativa de Porto Alegre é resultado da parceria entre Smamus e empresa Heineken e integra o Plano de Ação Climática da Capital, dentro das ações para implantar arborização urbana com espécies nativas adaptadas às condições climáticas.

 

Carla Bisol

Andrea Brasil