Artigo: Bancos vermelhos - Porto Alegre está atenta
Nunca se pensou tanto em proteger as mulheres da violência. E não é para menos, uma vez que o número de feminicÃdios vem crescendo de forma alarmante. Todo movimento de enfrentamento a esse mal é bem-vindo, porque o que está em jogo é a preservação de vidas.Â
O movimento dos bancos vermelhos passou a ser assunto entre muitas pessoas, especialmente entre os prefeitos de praça de Porto Alegre. Como gerente desses espaços, impulsionei essa iniciativa, que foi acolhida pelo governo municipal.Â
O projeto foi pensado de forma sustentável, aproveitando a riqueza de espaços públicos como praças e parques que a cidade possui, utilizando bancos já existentes para dar visibilidade à causa. A proposta inicial prevê a instalação de bancos vermelhos em dez praças, localizadas em pontos estratégicos da cidade, levando em conta bairros com maiores Ãndices de violência.
Sabemos que o banco vermelho, por si só, não reduz o número de feminicÃdios. No entanto, ele tem o poder de lembrar, diariamente, que existem caminhos para buscar ajuda e acolhimento em situações de violência.
Nosso desejo é ver o Rio Grande do Sul em primeiro lugar na educação, no esporte ou em qualquer outra área de desenvolvimento — e nunca nas estatÃsticas de feminicÃdio. Queremos lembrar que, a cada morte, perdemos uma mãe, uma filha, uma amiga. Perdemos uma vida que deixa muitos corações apertados.
Os bancos vermelhos, embora tenham surgido em 2016, na Itália, hoje são reconhecidos internacionalmente como sÃmbolo de conscientização e mobilização contra a violência de gênero. Em Porto Alegre, essa iniciativa ganha força para lembrar que nenhuma mulher está sozinha, que existem caminhos de ajuda e que o silêncio pode ser extremamente perigoso.Â
Mais do que um sÃmbolo, os bancos vermelhos são um convite à reflexão e à responsabilidade coletiva. Eles nos lembram, todos os dias, que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada.
Porto Alegre está atenta. E cada banco vermelho instalado em nossas praças será também um sinal claro de que a cidade não aceita a violência e está comprometida em proteger a vida das mulheres.
Regina Maria de Oliveira Machado
Gerente dos prefeitos de praça de Porto Alegre
Artigo publicado na edição de 30 de março de 2026 no Jornal do Comércio
Tatiana Bandeira