Plenária Final da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre aprova sete moções em defesa do SUS e da participação social
A Plenária Final da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre, realizada entre os dias 2 e 4 de julho de 2026, aprovou sete moções que expressam o posicionamento das pessoas delegadas sobre temas considerados estratégicos para a saúde pública, os direitos da população e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
As moções aprovadas refletem o papel da Conferência como espaço máximo de participação social na formulação das polÃticas públicas de saúde, reunindo pessoas usuárias, trabalhadoras, gestoras e prestadoras para debater os desafios do SUS e deliberar sobre propostas para o municÃpio.
As sete moções aprovadas foram:
1. Implementação do SAMU de Saúde Mental
A Conferência aprovou moção exigindo a implementação imediata do SAMU de Saúde Mental em Porto Alegre, com inÃcio da contratação e da execução do serviço, conforme previsto na Lei Municipal nº 14.455, de 7 de janeiro de 2026.
2. Defesa da reestatização das unidades de saúde terceirizadas
A moção exige a reestatização progressiva das unidades terceirizadas, a retomada da gestão pública, a realização de concursos públicos e a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores do SUS.
3. Repúdio à ausência da gestão municipal na Conferência
Foi aprovada moção de repúdio à não participação do secretário municipal de Saúde e de representantes das coordenadorias da Atenção Primária nas atividades da Conferência, bem como à obstrução da participação de servidores da Secretaria Municipal de Saúde nas etapas do processo conferencial, por entender que esses fatos representam desrespeito ao controle social previsto na Lei nº 8.142/1990.
4. Regulamentação do artigo 199 da Constituição Federal
A Conferência aprovou moção de apoio à regulamentação do artigo 199 da Constituição Federal, reafirmando que a participação da iniciativa privada deve ocorrer exclusivamente de forma complementar ao SUS. O texto também defende o fortalecimento da gestão estatal, a ampliação da fiscalização e a realização de concursos públicos, reforçando que "saúde não é mercadoria".
5. Apoio à luta das trabalhadoras e dos trabalhadores municipários
A quinta moção manifesta apoio à s mobilizações do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre contra o empresariamento da saúde, reafirmando o compromisso da Conferência com um sistema público estatal e criticando a destinação de recursos públicos para modelos de privatização, além de repudiar a polÃtica de arrocho salarial aplicada aos servidores municipais.
6. Inclusão de hormônios para pessoas trans na REMUME
A Plenária recomendou a inclusão dos medicamentos utilizados na hormonização de pessoas trans, travestis, transmasculinas e não binárias na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME). A medida busca fortalecer a integralidade e a equidade do SUS, ampliar o acesso ao tratamento e garantir cuidado digno e humanizado à população LGBTI+.
7. Repúdio ao novo Plano Diretor de Porto Alegre
A última moção aprovada manifesta repúdio ao novo Plano Diretor do municÃpio por entender que a proposta amplia desigualdades, fragiliza a participação social, reduz mecanismos de proteção ambiental e compromete determinantes sociais da saúde. O documento reafirma que o planejamento urbano deve estar comprometido com a promoção da saúde, da justiça ambiental e da participação popular.
Ao aprovar as sete moções, a 10ª Conferência Municipal de Saúde reafirma seu compromisso com a defesa do SUS público, universal, integral e de qualidade, com a valorização do controle social e com a construção de polÃticas públicas orientadas pelos direitos da população porto-alegrense. As moções passam a integrar o conjunto de posicionamentos polÃticos da Conferência e serão encaminhadas aos órgãos e instituições competentes.
Â


