Arquiteto dinamarquês defende planejamento voltado às pessoas em encontro na Usina do Gasômetro

20/05/2026 12:44
Pedro Piegas / PMPA
PLANEJAMENTO E GESTÃO
Evento ocorre na Usina do Gasômetro até 22 de maio

A palestra magna on-line do arquiteto dinamarquês Jan Gehl abriu as atividades do 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais nesta quarta-feira, 20, em Porto Alegre. Reconhecido mundialmente pelo trabalho em desenho urbano voltado à escala humana e autor de obras como Cidades para Pessoas e Vida entre Edifícios, Gehl destacou como intervenções acessíveis e centradas nas pessoas podem transformar as cidades contemporâneas.

O arquiteto lembrou que, no passado, os centros urbanos eram planejados para favorecer o deslocamento e a convivência. Esse cenário mudou ao longo do século XX, quando o espaço passou a ser organizado para atender principalmente os veículos. “Uma invasão de carros tomou as cidades do mundo todo”, observou. Movido por inquietação constante, Gehl dedicou as últimas décadas a pesquisar alternativas para tornar as cidades mais habitáveis.

Com contribuições decisivas para que Copenhague, na Dinamarca, e Nova York, nos Estados Unidos, priorizassem pedestres e ciclistas, Gehl defende que gestores públicos coloquem a dimensão humana no centro das mudanças. “Hoje precisamos criar cidades sustentáveis, que convidem as pessoas a se movimentar mais”, afirmou. Ele ressaltou que o planejamento urbano dos próximos anos deve valorizar o bem-estar coletivo e citou Veneza, na Itália, como exemplo positivo. “É mais barato planejar para as pessoas”, reforçou.

O 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais ocorre na Usina do Gasômetro até sexta-feira, 22. O evento reúne gestores públicos, urbanistas, pesquisadores, investidores e agentes culturais para discutir os desafios e as oportunidades da requalificação dos centros urbanos. Organizado pela Prefeitura de Porto Alegre, em parceria com a Rede Brasileira de Urbanismo em Áreas Centrais e o Programa Recentro da Prefeitura do Recife, o encontro promove uma imersão que articula planejamento, obras, valorização do patrimônio, resiliência climática, cultura, turismo e desenvolvimento econômico. A escolha de Porto Alegre como sede está diretamente ligada ao avanço do Programa Centro+, que conduz a requalificação do Centro Histórico e transforma o território em um laboratório vivo de revitalização.

Maikio Guimarães

Cristiano Vieira