E, assim, Érica veio ao mundo
Na foto Raquel e sua filha Érica
(Foto divulgação CMS/POA)
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Raquel Santos de Mello, grávida, chegou no Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) na tarde de segunda-feira, 17, com um histórico de falta de atendimento na rede hospitalar do Sistema Único de Saúde – SUS. Paciente da unidade de saúde Vila Vargas, Raquel tinha agendada uma cesariana no hospital Fêmina para a manhã do mesmo dia.
Porém, ao chegar no hospital, Raquel foi informada que não poderia ser atendida em função da superlotação e fechamento de serviços. Ali, recebeu a informação que deveria procurar outro hospital. Raquel procurou atendimento no hospital da PontifÃcia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), que negou atendimento por lotação esgotada. Raquel ainda tentou ser atendida no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), que também alegou superlotação.
Gestante com indicação de cesárea para a data, Raquel, estava acompanhada pela conselheira Rosa Helena Cavalheiro Mendes, que sugeriu procurar a sede do CMS/POA e fazer uma ouvidoria. A coordenação do conselho imediatamente contatou a área técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde (SMS/POA), que encaminhou o caso. Ainda na tarde de segunda, a gestante foi internada no HMIPV, no mesmo dia Raquel deu a luz à Érica dos Santos Mello de Araújo, que nasceu com 3.250 kg.
Para Raquel, que estava acompanhada pelo marido, ter que percorrer por três hospitais buscando o atendimento que havia sido marcado com antecedência foi uma humilhação. “Agora eu estou tranqüila, mas tive que pedir socorro. Pra mim foi uma humilhação ter que percorrer três hospitais, durante toda a manhã, em busca de atendimentoâ€, relata Raquel. Â
Conforme Rosa, que é coordenadora-adjunta do CMS/POA pelo segmento usuária, o conselho é um órgão atuante e que cumpriu seu papel de fiscalização. “Fico feliz por um lado que existe o controle social, que fez seu papel e exigiu que resolvessem o problema, mas triste por outro lado, porque as coisas não funcionam como deveriam funcionarâ€, desabafa Rosa. A conselheira comenta, ainda, sobre a situação vivida diariamente por inúmeras mulheres que não tem seu caso resolvido. “Enquanto esse caso foi resolvido, milhares de mulheres estão sem ter sua situação atendida por falta de profissionais, serviços e má gestão. Que bom que existe o controle social que faz este papel, fiscalizador e de cobrar para que as coisas aconteçam corretamenteâ€, relata Rosa.
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Texto: Katia Camargo
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