Hospital de Pronto Socorro está na UTI
Na noite desta quinta-feira, 23, mais de 200 pessoas estiveram reunidas na Câmara Municipal de Porto Alegre denunciando os rumos do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Promovida pelo Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) e Associação dos Servidores do Hospital de Pronto Socorro (ASHPS), a audiência pública “Análise Situacional do Hospital de Pronto Socorro – HPS†teve como proposta discutir sobre a precariedade do hospital e cobrar soluções junto aos órgãos responsáveis, para a situação que coloca em risco o atendimento no HPS. (fotos)
Participaram da mesa do debate, a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público Estadual (MPE/RS), Liliane Pastoriz, o secretário municipal de Saúde (SMS/POA), Erno Harzeim, o representante do Conselho Regional de Enfermagem (COREN-RS), João Carlos da Silva, a presidente da ASHPS, Isabel Santana, a coordenadora do CMS/POA, Maria LetÃcia de Oliveira Garcia, e o vice-coordenador do CMS/POA, Gilmar Campos, que representava o conselho gestor do hospital, como usuário. Estavam presentes na audiência, o vereador Thiago Duarte, as vereadoras Sofia Cavedon, Fernanda Melchiona e Rosângela Dornelles, do municÃpio de Charqueadas, e o diretor-geral do HPS, AmarÃlio Vieira de Macedo.
Referência no atendimento de urgência e emergência de trauma para a cidade e região metropolitana, o HPS, que recebe 300 mil atendimentos e cinco mil internações ao ano (conforme relatório de gestão da SMS/POA), vem sendo precarizado e está com atendimento reduzido por falta de recursos humanos. Além da falta de 232 profissionais de enfermagem e técnicos de enfermagem, faltam médicos e profissionais de todas as áreas, o que ocasiona o fechamento de serviços, jornadas de trabalhos extenuantes para os trabalhadores e poucos profissionais para o número de pacientes, condições que oferecem risco à vida da população. A denúncia, que foi encaminhada ao MPE/RS, também apontou para falta de infraestrutura, equipamentos estragados e péssimas condições sanitárias, vazamentos e infiltrações.
Para Isabel Santana, o hospital, que atende pacientes graves, vÃtimas de acidentes e ferimentos com armas de fogo, está vivendo uma situação crÃtica. “É um hospital referência em trauma, e o trauma é a primeira causa de morte na idade entre um e 49 anos, nós estamos ali com a missão de salvar vidas, não estamos ali para brincar. Outrora a gente ajudou no incêndio da boate Kiss, hoje em dia a gente não consegue fazer isso, por superlotação da nossa emergência em função da falta de recursos humanos e material, não temos macas, não temos monitores e ventiladores suficientes para atender uma demanda assimâ€, denunciou Isabel.
O gestor da pasta da Saúde se comprometeu com a aquisição de equipamentos e de qualificar a infraestrutura de trabalho, apresentando uma planilha com os investimentos que serão aplicados no local. Já em relação ao quadro de recursos humanos, o secretário apresentou medidas paliativas e de terceirização do serviço, como a contratação de leitos e repasse dos atendimentos e internações para outros hospitais, citando os hospitais Restinga e Santa Ana, inaugurado recentemente. O secretário atribui, ainda, esta situação à crise econômica. “Não é possÃvel resolver esta carga de problemas estruturais e de recursos humanos num prazo curto de tempo, muito menos se há uma crise econômica bastante marcada no municÃpioâ€, disse Harzeim.
Ao final da audiência, Maria LetÃcia solicitou à representante do MPE/RS que incluÃsse, ao processo aberto pelo órgão, o encaminhamento por parte da SMS/POA do dimensionamento de pessoal de toda a secretaria, principalmente do HPS, além das obras previstas e seus investimentos. “Nós já fizemos diversos encaminhamentos a esse respeito, é importante que a secretaria encaminhe ao conselho o dimensionamento de recursos humanos, especialmente do HPS. Precisamos ter conhecimento de que maneira as obras vão ser elaboras e os recursos utilizadosâ€, disse Maria LetÃcia.
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Texto: Katia Camargo
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