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O uso da Rede de Atenção à Saúde para praticas higienistas e manicomiais pelo governo Melo será pauta do controle social do SUS desta quinta, 25

Denúncias de internações involuntárias de pessoas que vivem em situação de rua motivaram o Conselho de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) a expor o tema na plenária alusiva ao Dia Nacional de Luta Antimanicomial.
24/05/2023 00:00

O CMS traz a público o debate sobre as ações de higienização e controle da população em situação de rua, protagonizadas, através de remoções, de recolhimento pelo SAMU e possível direcionamento para internações involuntárias. De acordo com a Lei Federal 10.216/2001, estas internações só podem ser utilizadas em casos de excepcionalidade, ou seja, quando houver risco para os sujeitos e quando esgotados o acesso a outras ofertas de cuidado. O encontro acontece nesta quinta-feira, 25, às 18h30, no auditório Otávio Rocha da Câmara de Vereadores, avenida Loureiro da Silva, 255.

Outro fato que chamou atenção do CMS para lançar o tema, foi a orientação dada pela Coordenação de Urgências da Secretaria Municipal de Saúde aos Plantões de Emergência em Saúde Mental (PESM) para que não atendessem, momentaneamente, pessoas em crise e com uso de álcool e outras drogas. O que interferiu diretamente nos fluxos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), estabelecidos desde 2018, em especial, dos Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). A orientação somente foi vetada pela SMS após forte articulação dos serviços da RAPS, através do Fórum Álcool e Drogas.

Para a vice-coordenadora do CMS/POA e psicóloga da rede de saúde da capital, Ana Paula De Lima, a pauta prioriza, dentre os diferentes grupos e segmentos de pessoas que acessam a Rede de Atenção Psicossocial do SUS, aqueles que estão mais excluídos e, com isso, reafirma o princípio da equidade e confronta as ações higienistas do governo para a população em situação de rua. “São os que estão mais vulneráveis e expostos aos efeitos da necropolitica que encarnam vários marcadores sociais que produzem estigma, preconceito e violência. Dar visibilidade a este estado de coisas é tomar a redução de danos como afirmação da diversidade e da defesa intransigente de toda e qualquer vida. Ao contrário das práticas higienistas que querem eliminar as vidas que não são ‘capitais’”, ressaltou Ana Paula.

defensor público federal em Porto Alegre, Georgio Endrigo Carneiro da Rosa, que desde 2014 trabalha com as questões que envolvem a população em situação de rua, e a professora de Saúde Coletiva da UFRGS, Maria Gabriela Godoy, que é integrante da coordenação do Grupo Passa e Repassa, de pesquisa e extensão de políticas e direitos desta população, especialistas no tema, participam do encontro. O secretário de Saúde Fernando Ritter também estará presente, marcando o retorno da participação oficial do gestor da pasta no Conselho de Saúde. Representando o Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua, estará presente Edisson José Souza Campos.

 

Evento: Luta Antimanicomial - População em situação de rua e as práticas higienistas

Data: 25.05.23 – quinta-feira
Hora: 18h30
Local: auditório Otávio Rocha - Câmara de Vereadores - avenida Loureiro da Silva, 255
A plenária será transmitida ao vivo em: facebook.com/conselhodesaudeportoalegre

 

Texto: Katia Camargo

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