PACS é pauta de encontro com Prefeito e secretário de Saúde

Fotos CMS/POA: reunião 26.02.2021/PACS
Na tarde desta sexta-feira, 26, a situação do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) frente à pandemia da Covid-19 foi o tema de uma reunião, marcada às pressas pelo gestor municipal, com a presença do prefeito Sebastião Melo e do secretário de Saúde, Mauro Sparta. O encontro ocorreu no auditório do Centro de Saúde Vila dos Comerciários, onde fica o serviço.
Controle social, gestão do município, usuários do serviço, lideranças comunitárias, trabalhadores e vereadores discutiram sobre a situação dramática que vive o serviço de Saúde, referência em urgência e emergência para a população de Porto Alegre.
As integrantes do núcleo de coordenação do Conselho Distrital de Saúde da Glória Cruzeiro Cristal (CDS GCC), Adriana Correa de Farias, pelo segmento usuário, e Maria Alzira Grassi, trabalhadora do local e conselheira de Saúde pela região, estiveram presentes e representaram o Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA).
A técnica de Enfermagem Shaienne Sehnem Pereira, trabalhadora da linha de frente para a Covid-19 no Pronto Atendimento, fez um relato comovente do que os trabalhadores estão vivenciado, além de citar demandas necessárias e urgentes. Shaienne colocou que todos os profissionais de saúde da linha de frente estão em exaustão o que aumenta o risco frente à permanente exposição ao vírus, as equipes estão sobrecarregadas e com urgência na reposição de trabalhadores. Sobre as vagas de médicos emergencistas para a qualificação do atendimento, a técnica informou que a terceirização causa instabilidade na continuidade das escalas e a falta de especialização e experiência dos profissionais impacta diretamente na capacidade da equipe como um todo. Shaienne completou sua manifestação lembrando que estão sem material para intubação dos pacientes, faltam macas e até cadeiras de rodas para o transporte dos casos mais agudos e que não conseguem fazer o deslocamento na chegada do PACS. “A equipe está trabalhando há meses e não tem gente na escala para trabalhar, a gente precisa de colegas com quem possa contar”, desabafa.
A conselheira de Saúde falou que os trabalhadores estão dia e noite sobrevivendo a todos os ataques dos últimos quatro anos de governo e que a estabilidade do servidor público significa confiança para a população. Alzira colocou que o esperado para um gestor é que ele valorize o controle social e se coloque no lugar de um servidor também, para que se tenha diálogo e segurança para os trabalhadores e comunidades. “Em 1988 a comunidade ocupou e exigiu o pronto socorro da zona sul, e estamos até hoje aqui e não vamos permitir a terceirização deste posto. A pandemia mostrou a importância do SUS como referência mundial, quando o vírus chegou nas comunidades e saiu da classe alta, o SUS estava lá”, disse. Sobre a falta de coordenação do PACS, a conselheira também argumentou que é uma irresponsabilidade o serviço estar há um ano sem direção.
No final da reunião, após escutarem os inscritos nas falas, o secretário de saúde e o prefeito fizeram suas manifestações. Sparta comentou que está atento a todas essas denúncias do serviço e tem a convicção que vão escolher conjuntamente um coordenador para o serviço que tenha responsabilidades e trabalhe em cima de prioridades. “Estamos ouvindo vocês para iniciar os trabalhos no sentido de ações de curto, médio e longo prazo, buscando todas as condições possíveis para as dificuldades administrativas e de tudo isso que foi falado e tem muito de verdade”, falou Sparta.
O prefeito começou sua fala destacando que tem cobrado do ministro da Saúde Pazuello para acelerar o processo de vacinação. Segundo ele, o ministro falou que em março chegariam mais vacinas e até final do ano o país terá mais 450 milhões de vacina. O prefeito falou que considera muito o controle social por ter um passado de lutas e de organização popular. Sobre a coordenação do serviço, Melo garantiu que será de acordo com o já acordado pelo secretário de Saúde e entidades em reunião nesta semana.
Ainda, o prefeito falou sobre a situação do IMESF e de sua conversa desta sexta-feira (26) com o desembargador Francisco Rossal de Araújo, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT/RS). Conforme o gestor, é possível que seja feito um acordo judicial com o TRT/RS para prorrogar a extinção do Instituto por alguns meses (de 6 a 7 meses). Para ele, talvez esta seja a maneira mais rápida de aproveitar os profissionais na pandemia.
O prefeito também disse que vai cumprir seu compromisso de campanha com a reabertura das unidades de saúde que foram fechadas na gestão anterior, afirmando que serão todas reabertas.
No final do encontro, por apelo dos profissionais da linha de frente para que o chefe do executivo visitasse o local e visse a situação caótica, o prefeito visitou a área restrita de atendimento à Covid-19 e internados pela doença.
Link para live do ato realizado pelos trabalhadores em frente ao PACS na segunda-feira (22).
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