O Núcleo de Antropozoonoses está na Equipe de Vigilância de Riscos Ambientais Biológicos (EVRAB).
Nossa equipe de profissionais atua:
- na vigilância e controle da leishmaniose visceral canina (LVC) no município. Esta atividade envolve diversas ações como o exame sorológico de cães suspeitos notificados por serviços veterinários e seus contactantes, chipagem e colocação de coleiras repelentes nos cães coletados e inquérito sorológico de LVC em regiões com casos de Leishmaniose Visceral Humana (LVH);
- na vigilância da febre amarela em primatas não humanos (como os bugios). São recebidas notificações e realizadas ações de campo para coletas de amostras para análise laboratorial de febre amarela. As notificações e coletas são usualmente realizadas em regiões de presença de mata e animais silvestres, no entorno das áreas das Unidades de Conservação Ambientais como o Parque Natural Morro do Osso, a Reserva Biológica do Lami e o Refúgio de Vida Silvestre São Pedro entre outras;
- na vigilância da raiva. Ocorre com o encaminhamento de morcegos desgarrados das colônias para virologia da raiva e aplicação de protocolo de vacinas antirrábicas em animais que tiveram contato com morcegos. Outras espécies também podem ser objeto destas investigações e deflagrar intervenções comunitárias por parte da equipe (leia recomendações e cuidados para prevenir abaixo);
- em atividades educativas; e
- resposta à população que encaminha demandas pelo serviço 156 da Prefeitura de Porto Alegre, em especial orienta sobre carrapatos, pombos, esporotricose e pulgas.
Orientações para você sobre os morcegos e a raiva
-
A raiva
-
A raiva é uma doença transmitida por vírus. Ela pode atingir seres humanos, cães, gatos, bois, cavalos, ovelhas, cabritos, primatas e morcegos, entre outros mamíferos.
O vírus é transmitido pela saliva de um animal infectado ao morder, arranhar ou lamber a pele machucada ou com lesões ou mucosas de outro animal ou ser humano. Ele afeta o sistema nervoso central da vítima, causando uma encefalite. A doença é praticamente 100% letal, sendo comum as vítimas morrerem pouco tempo depois do início dos sintomas da doença.
Em Porto Alegre, o intervalo de maior risco de transmissão da raiva vinculado aos morcegos vai de setembro a maio. Esta é a época de maior atividade biológica e período de reprodução do animal.
Além disso, no período também são registradas alterações climáticas e ambientais, com elevadas temperaturas, temporais, crescimento dos loteamentos urbanos, entre outros.
- O que fazer quando encontrar um morcego
-
● Se um morcego estiver em sua casa e ele voar, é sinal de que ele está sadio. Nesse caso, abra janelas e apague as luzes. Isso deve fazer o morcego voar para fora do ambiente. Não toque no animal.
● Se o morcego continuar na sua casa ou se for encontrado em via pública ou pátios, a recomendação é tentar conter o animal sem tocar nele. Panos, caixas de papel, potes e baldes podem ser usados para tapar o morcego. Você também pode manter o animal preso em um ambiente fechado. Nesse caso, faça contato com a Vigilância em Saúde para pedir o recolhimento do animal.
● Sobre a coleta dos morcegos: A busca acontece de segunda a sexta-feira das 9h às 17h. A equipe sempre faz contato antes de fazer a visita. Para solicitar a coleta, ligue para (51) 3289-2450 ou chame pelo WhatsApp. Fora do horário de funcionamento, acione o serviço 156.
● Importante: a Vigilância em Saúde recolhe apenas morcegos que apresentam comportamento anormal e estejam desorientados, dentro de imóveis ou encontrados caídos no chão de pátios e em vias públicas.
● Em casos de colônias de morcegos, empresas especializadas devem ser contratadas para desalojá-las.
● Lembre que os morcegos são protegidos por legislações ambientais e de proteção à fauna. Eles têm importância no equilíbrio de ecossistemas e do meio ambiente, realizando o controle de diversos insetos, como o Aedes aegypti (vetor da dengue). Também atuam na polinização de diversas espécies pertencentes à nossa flora nativa.
● Não mate o morcego. - O que fazer se você tiver contato com morcego
-
● Em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura em região lesionada, lavar a região com água e sabão de forma abundante. Depois, vá até sua unidade de saúde de referência.
● Os profissionais de saúde irão realizar a avaliação e definir a medida a ser tomada - vacinação, uso de soro ou soro e vacina.
● As pessoas com indicação para receberem a vacinação devem completar o esquema vacinal de quatro doses para serem consideradas imunizadas.
● Profissionais das Unidades de Saúde acompanham os pacientes no prazo indicado para a aplicação das quatro doses da vacina e realizam a busca ativa de pessoas que deixaram de receber alguma dose, para completar o esquema vacinal.
● Lembre-se: A raiva é uma doença que mata praticamente todas as pessoas que foram infectadas pelo vírus. -
Cuidados com animais domésticos
-
Cuidados com animais domésticos
Quem tem cães ou gatos deve estar atento para evitar que eles sejam contaminados com o vírus da raiva. Pets costumam caçar e interagir com outros animais, podendo entrar em contato com morcegos contaminados e se infectar.
Em caso de contato ou possibilidade de contato com um morcego, cães e gatos devem ser vacinados novamente, com um protocolo pós-exposição, mesmo estando com a vacina em dia.
A vacinação antirrábica anual é obrigatória, conforme lei municipal. Em casos de exposição, procure sempre orientação de um médico veterinário.
Orientações para você, profissional de saúde
- Notificação
-
● Todo caso de atendimento antirrábico humano deve ser investigado e notificado no SINAN (Ficha Atendimento Antirrábico Humano).
● Na suspeita de encefalite pelo vírus da raiva deve ser preenchida a ficha de notificação da Raiva (Raiva Humana).
● Limpe o ferimento com água e sabão.
● Não é recomendada a sutura dos ferimentos. Em lesões extensas, optar pela aproximação de bordas (unir as bordas de uma ferida para facilitar a cicatrização e reduzir o risco de infecção). ● O serviço de Atenção Primária em Saúde deve orientar os pacientes sobre a importância de completar o esquema vacinal e fazer busca ativa nos casos de ausência.
● Registrar a busca ativa na ficha física de notificação, bem como no e-SUS;
● A ficha de notificação deve ser encerrada para posterior envio à Diretoria de Vigilância em Saúde - Ficha de Notificação
Orientações para você, que trabalha em empresa controladora de pragas
- Informação e EPI
-
● Os trabalhadores devem estar capacitados e informados sobre os riscos associados aos morcegos e a importância das práticas recomendadas;
● Os trabalhadores devem usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), tais como luvas, máscaras e roupas de proteção adequadas para evitar contato direto com os morcegos e suas fezes;
● Não tocar em morcegos ou animais selvagens, vivos ou mortos e, se ocorrer contato, lavar imediatamente com água e sabão a área de contato.
