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Movimento Reestatiza SUS é lançado em plenária popular na Câmara Municipal de Porto Alegre

Entidades, trabalhadores e usuários denunciam precarização da Atenção Primária e defendem fortalecimento do SUS público na Capital
23/07/2026 17:15

O Movimento Reestatiza SUS foi lançado oficialmente nesta quarta-feira (22), durante uma plenária popular realizada na Câmara Municipal de Porto Alegre. A atividade reuniu entidades, movimentos sociais, trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em defesa da gestão pública dos serviços de saúde e contra o avanço das terceirizações na Atenção Primária da Capital.

A plenária foi organizada pelo Coletivo em Defesa do SUS, formado por entidades que atuam na defesa da saúde pública e na luta pelo fortalecimento da Atenção Básica em Porto Alegre. A atividade contou com a participação da coordenadora do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA), Maria Inês Bothona Flores.

O lançamento do movimento ocorre em meio à preocupação com a transferência da gestão de unidades de saúde para o Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG). A organização assumiu a gestão de serviços da Atenção Primária nas regiões Leste e Norte da cidade, em um processo que, segundo as entidades, tem provocado instabilidade na rede e dificuldades para a composição das equipes de saúde.

“Nossa luta é por um SUS cada vez mais forte”

Durante a plenária, Maria Inês Bothona Flores destacou que a mobilização representa a defesa de um SUS público, forte e com trabalhadores contratados de forma regular. Para ela, o processo de terceirização representa mais um ataque à saúde pública da Capital.

“Nossa luta é por um SUS cada vez mais forte na nossa cidade, que está sendo atacada há várias gestões pela terceirização dos serviços de saúde. Sendo que a última empresa que ganhou o chamamento público, o IAG, pela primeira vez traz para a Atenção Primária a pejotização dos trabalhadores. Eles ainda não conseguiram equipes completas na região Leste que assumiram, sendo que, a partir do dia 31, assumem a região Norte.”

A coordenadora do CMS/POA também alertou para os impactos que a mudança na forma de contratação pode provocar na organização e na continuidade do cuidado prestado à população. A defesa do caráter público do SUS e da valorização dos trabalhadores da saúde está entre as principais bandeiras do Movimento Reestatiza SUS.

“A pior crise da Atenção Primária”

Representante do Coletivo em Defesa do SUS, Alberto Terres, classificou o atual cenário da saúde pública da Capital como a pior crise já vivenciada pela Atenção Primária de Porto Alegre. Segundo ele, os problemas ultrapassam a precarização das relações de trabalho e atingem o funcionamento de todo o sistema de saúde.

“O que Porto Alegre está vivendo é a pior crise da Atenção Primária. Porto Alegre vivencia uma situação jamais vista, não só pela precarização do trabalho e do trabalhador, mas também pela precarização do sistema como um todo.”

Terres também criticou o modelo adotado pela Prefeitura de Porto Alegre e lembrou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2007, relacionado à contratação de trabalhadores para a Atenção Básica.

Segundo Terres, o acordo estabelecia que a Prefeitura deveria se abster de contratar trabalhadores para a Atenção Básica sem concurso público. Na avaliação do Coletivo em Defesa do SUS, a contratação de organizações para assumir a gestão dos serviços representa o descumprimento desse compromisso.

“O TAC de 2007 estabelecia que a Prefeitura de Porto Alegre deveria se abster de contratar servidores para a Atenção Básica sem concurso público. A Prefeitura descumpriu essa decisão ao contratar essas empresas.”

Usuários denunciam “troca-troca” de profissionais

A precarização e a falta de continuidade das equipes também foram denunciadas por moradores das regiões atingidas pelas mudanças na gestão dos serviços. Carla Rodrigues, moradora do bairro Mário Quintana e integrante do Conselho Local de Saúde (CLS) Chácara da Fumaça e do Conselho Distrital de Saúde (CDS) Nordeste, afirma que a população convive há anos com a instabilidade das equipes de saúde.

“Lá no Mário Quintana nós somos totalmente contra as terceirizações. Faz seis anos que estamos com esse troca-troca de médico, enfermeira e toda a equipe. Quando a gente pensa que organizou, troca tudo de novo.”

O Coletivo deliberou por realizar atividades de mobilização contra as terceirizações de forma descentralizadas, iniciando pelas regiões Leste e Norte da cidade. Além de fortalecer as ações judiciais necessárias para barrar as terceirizações na Atenção Básica e fazer cumprir o TAC.

Plenária do Conselho Municipal de Saúde denuncia desmonte da Atenção Básica e convoca mobilização em defesa do SUS

20/07/2026 17:12

A crise da Atenção Básica em Porto Alegre dominou os debates da Plenária do Conselho Municipal de Saúde (CMS), realizada em 9 de julho de 2026. Conselheiros, trabalhadores e usuários representantes das comunidades atingidas fizeram um contundente alerta sobre o avanço da precarização da saúde pública, a desestruturação das equipes e os impactos da terceirização na vida da população, especialmente nos territórios mais vulneráveis da cidade.

No centro das discussões esteve a transição da gestão das Unidades de Saúde das regiões Leste e Norte para o Instituto de Apoio à Gestão (IAG), processo que, segundo os relatos apresentados, tem provocado descontinuidade dos serviços, perda de profissionais, redução salarial e agravamento das condições de atendimento.

Os participantes denunciaram que Porto Alegre vive mais um capítulo do desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), marcado pela substituição de equipes inteiras, pela fragilização dos vínculos de trabalho e pelo enfraquecimento da Atenção Primária, porta de entrada do sistema público de saúde.

Conselheiros locais relataram o cenário encontrado nas unidades: falta de materiais básicos, ausência de equipes de limpeza, carência de profissionais e alta rotatividade de gerentes, fatores que comprometem o vínculo entre os serviços e as comunidades e colocam em risco a continuidade do cuidado.

A coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, Maria Inês Bothona Flores, representante dos usuários do SUS, apresentou a linha do tempo da atuação do Conselho desde o rompimento do contrato com a Sociedade Sulina Divina Providência e a Irmandade Santa Casa de Misericórdia. Ela ressaltou que o CMS vem cobrando, de forma permanente, uma solução definitiva para a gestão da Atenção Básica, o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2007 e a prestação de contas das entidades envolvidas. Destacou ainda que o Conselho tem atuado em conjunto com órgãos de controle, entidades e movimentos sociais na defesa da saúde pública.

Ao relatar visitas realizadas às unidades de saúde, Maria Inês descreveu o impacto da substituição das equipes. Como exemplo, citou a Unidade Vila Jardim. "É uma unidade com três equipes, na qual mudou a gerente do serviço, os três médicos, três enfermeiras, um dentista, uma técnica de enfermagem e uma auxiliar de saúde bucal. Ou seja, mudou praticamente toda a equipe, e isso está acontecendo também nas outras unidades", relatou.

Para a coordenadora, a situação tende a se agravar nos próximos meses diante de mais perda de profissionais. "Sabemos também que as pessoas que permaneceram vão ficar por um tempo até encontrarem uma situação melhor, porque só o salário dos enfermeiros reduziu de R$ 11 mil para R$ 4 mil".

Maria Inês também fez um duro alerta sobre a capacidade da nova instituição de administrar a rede municipal. "Estamos alertando que o IAG não tem condições de assumir uma cidade como Porto Alegre." Ela afirmou ainda que os trabalhadores que permaneceram e os recém-contratados estão sendo obrigados a cobrir serviços desfalcados em diferentes regiões da cidade, como Nordeste, Lomba do Pinheiro e Partenon, ampliando a sobrecarga das equipes e comprometendo o atendimento à população.

O conselheiro Paulo Roberto Padilha, representante do Conselho Distrital Nordeste, reforçou as denúncias ao relatar o cenário enfrentado na região após a mudança de gestão. Segundo ele, a falta de médicos, enfermeiros e trabalhadores da limpeza se agravou em razão da redução salarial promovida pelo IAG, comprometendo o funcionamento das unidades.

Representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), o conselheiro Alberto Terres denunciou que a terceirização da Atenção Básica aprofunda a precarização do trabalho e atinge diretamente os usuários do SUS. Para ele, a reconstrução da rede pública passa pela retomada da gestão estatal das unidades, pela realização de concursos públicos, pela recomposição das equipes e pela valorização dos trabalhadores da saúde.

Na mesma linha, o farmacêutico e conselheiro Masurquede Coimbra classificou o momento vivido pela Atenção Básica como uma "morte anunciada", alertando para o risco de aprofundamento da crise caso não haja mudanças na condução da política municipal de saúde.

Ao final da plenária, o Conselho Municipal de Saúde aprovou a construção de uma agenda permanente de mobilização junto às entidades que integram o Coletivo em Defesa do SUS. A deliberação busca fortalecer a articulação entre trabalhadores, usuários, movimentos sociais e entidades sindicais na defesa da saúde pública e na resistência ao avanço das terceirizações.

Próxima agenda do Coletivo em Defesa do SUS:

  • 22 de julho (quarta-feira)
  • 18h
  • Auditório Ana Terra – Câmara Municipal de Porto Alegre - (Av. Loureiro da Silva, 255 - Centro Histórico/POA)

Pautas da mobilização: Fortalecer a luta pela reestatização das Unidades de Saúde terceirizadas; Defender o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) como instrumento de fortalecimento da gestão pública; Construir estratégias de enfrentamento às terceirizações e à precarização da Atenção Primária; e Fortalecer a unidade entre trabalhadores, usuários do SUS, entidades sindicais e movimentos sociais na defesa do SUS público, estatal, universal e de qualidade.

10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre divulga delegação homologada

09/07/2026 21:11

A Comissão organizadora divulgou nesta quinta-feira, 09, a relação da delegação homologada para representar Porto Alegre na etapa estadual do processo conferencial. Foram eleitas 88 pessoas delegadas, respeitando a composição prevista no regimento estadual: 53 representantes do segmento das pessoas usuárias, 27 do segmento das pessoas trabalhadoras e 8 representantes dos segmentos das pessoas gestoras e prestadoras. A delegação terá a responsabilidade de defender as propostas aprovadas no município e contribuir para a construção das diretrizes estaduais do SUS

A partir desta publicação, a Comissão Organizadora dará um prazo de dois dias úteis para pedido de esclarecimentos, que devem ser feitos por e-mail para 10cmsdepoa@gmail.com

10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre fortalece a participação social e aprova 66 propostas para o SUS

Evento reuniu 1.381 pessoas ao longo do processo conferencial, elegeu a delegação para a etapa estadual e aprovou propostas e moções que orientarão os próximos debates sobre as políticas públicas de saúde.
09/07/2026 19:00

A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), a participação popular e a construção coletiva de propostas marcaram a 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre, realizada entre os dias 2 e 4 de julho de 2026. Com o tema "Saúde, democracia, soberania e SUS: Cuidar do povo é cuidar do Brasil", o evento consolidou o processo democrático de escuta, debate e deliberação que mobilizou 1.381 pessoas desde as atividades preparatórias até a plenária final.

A etapa final contou com 281 pessoas participantes, entre representantes dos segmentos das pessoas usuárias, trabalhadoras, gestoras e pessoas prestadoras de serviços de saúde, que debateram propostas para qualificar o SUS em Porto Alegre e contribuíram para a definição das prioridades que seguirão para as etapas estadual e nacional da Conferência.

Construção coletiva ao longo de todo o processo

Antes da etapa final, a Comissão Organizadora promoveu um amplo processo de mobilização, composto por 13 reuniões dos Conselhos Distritais de Saúde, duas plenárias formativas, um encontro preparatório e quatro pré-conferências, que envolveram aproximadamente 1.100 pessoas.

Esse percurso permitiu ampliar o debate sobre a realidade da saúde no município e garantir que diferentes territórios e segmentos da sociedade contribuíssem para a construção das propostas levadas à Conferência Municipal.

Deliberações aprovadas

Os debates foram organizados em quatro eixos temáticos e dez grupos de trabalho. Como resultado das discussões, a Plenária Final aprovou 66 propostas, sendo 37 de competência municipal e 29 destinadas às etapas estadual e nacional.

As deliberações abordam temas relacionados ao fortalecimento da Atenção Primária, financiamento do SUS, valorização das pessoas trabalhadoras, participação social, vigilância em saúde, gestão pública, saúde mental, equidade e garantia do direito à saúde, entre outros assuntos estratégicos para o município e para o Sistema Único de Saúde. As deliberações serão publicadas em breve no site do evento, logo após revisão final do temário.

Delegação representará Porto Alegre na etapa estadual

Outro momento importante da Conferência foi a eleição da delegação que representará Porto Alegre na 10ª Conferência Estadual de Saúde.

Foram eleitas 88 pessoas delegadas, respeitando a composição prevista no regimento estadual: 53 representantes do segmento das pessoas usuárias, 27 do segmento das pessoas trabalhadoras e 8 representantes dos segmentos das pessoas gestoras e prestadoras. A delegação terá a responsabilidade de defender as propostas aprovadas no município e contribuir para a construção das diretrizes estaduais do SUS.

Sete moções aprovadas

Além das propostas, a Plenária Final aprovou sete moções, sendo quatro de apoio e três de repúdio, que expressam o posicionamento político da Conferência sobre temas considerados prioritários pelas pessoas participantes.

Entre os assuntos aprovados estão a implementação do SAMU de Saúde Mental, a defesa da reestatização progressiva das unidades de saúde terceirizadas, a regulamentação do artigo 199 da Constituição Federal, o apoio à luta das pessoas trabalhadoras municipárias contra o empresariamento da saúde, a inclusão de hormônios para pessoas trans na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME), além de manifestações de repúdio à ausência da gestão municipal durante a Conferência e ao novo Plano Diretor de Porto Alegre.

Controle social fortalecido

Para o Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre, a 10ª Conferência reafirmou a importância da participação popular na construção das políticas públicas. Para a coordenadora do CMS/POA, Maria Inês Bothona Flores, a Conferência demonstrou, mais uma vez, a força do controle social no SUS. "As propostas aprovadas são resultado de um processo democrático, construído com diálogo, participação e compromisso com a saúde pública. A delegação eleita levará à etapa estadual a voz da população de Porto Alegre e a defesa de um SUS cada vez mais público, universal, integral e de qualidade." disse Maria Inês.

Compromisso com o SUS

As deliberações da 10ª Conferência Municipal de Saúde passam a orientar a atuação do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre e serão encaminhadas aos órgãos competentes, além de subsidiar os debates da Conferência Estadual de Saúde.

Mais do que números, o processo conferencial reafirmou que a participação das pessoas usuárias, trabalhadoras, gestoras e prestadoras é essencial para fortalecer o controle social, aperfeiçoar as políticas públicas e garantir um Sistema Único de Saúde capaz de responder às necessidades da população porto-alegrense.

Nota Pública do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre

Sobre a crise na Atenção Básica, a contratação do Instituto de Apoio à Gestão (IAG) e a responsabilidade administrativa e sanitária do gestor municipal quanto aos efeitos na assistência à população.
09/06/2026 18:36

O Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA), órgão permanente, deliberativo e fiscalizador do Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição Federal, pela Lei Federal nº 8.142/1990, pela Lei Complementar nº 141/2012 e pela Lei Municipal nº 277/1992, vem a público atualizar sua posição acerca dos impactos decorrentes do processo de terceirização da Atenção Básica no Município de Porto Alegre e manifestar seu repúdio à contratação do Instituto de Apoio à Gestão (IAG) para assumir a gestão de 67 Unidades de Saúde das regiões Leste e Norte da Capital.

Desde a extinção do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (IMESF) e a transferência progressiva da gestão da Atenção Básica para organizações privadas, o Conselho Municipal de Saúde vem alertando para os riscos sanitários, assistenciais, financeiros e trabalhistas decorrentes desse modelo. (nota)

Em janeiro de 2026, diante da decisão das entidades Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e da Sociedade Sulina Divina Providência de rescindirem os Termos de Colaboração, relativos à gestão de unidades de saúde das regiões Leste e Norte, o CMS publicou Nota Pública reafirmando que as Unidades Básicas de Saúde constituem serviço público essencial, de responsabilidade direta do gestor municipal, não devendo ser objeto de transferência permanente ao setor privado. (nota)

Na plenária de 22 de janeiro de 2026, o CMS deliberou pela necessidade de:
    • apresentação de solução definitiva para a gestão da Atenção Básica, em consonância com as deliberações das Conferências Municipais de Saúde;
    • apresentação pública do cronograma e das diretrizes do novo edital de chamamento;
    • encaminhamento da situação aos órgãos de controle;
    • prestação de contas das entidades contratadas antes da formalização das rescisões;
    • construção de processo gradual de reversão da terceirização da Atenção Básica.

O Conselho adotou todas as medidas institucionais ao seu alcance para exigir o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta firmado para efetivação de uma solução definitiva para a contratação de servidores públicos para as equipes da Estratégia Saúde da Família. Foram encaminhados expedientes ao Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Ministério Público de Contas, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público de Direitos Humanos, sem que tenha havido, até o presente momento, resposta efetiva às denúncias apresentadas.

Em audiência realizada com o Ministério Público de Direitos Humanos, o CMS reiterou os riscos de desassistência decorrentes da ruptura contratual e defendeu que aquele era o momento oportuno para exigir do Município uma solução estrutural e definitiva para a Atenção Básica. Entretanto, foi informado que a Ação Civil Pública relacionada ao tema permanece pendente de julgamento no Tribunal de Justiça desde 2021, limitando a atuação ministerial naquele momento.

O Conselho também buscou interlocução direta com o Tribunal de Justiça, solicitando audiência com o desembargador responsável pelo processo, sem retorno efetivo até a presente data.

Paralelamente, os Conselhos Distritais de Saúde das regiões afetadas vêm registrando e encaminhando ao CMS denúncias sobre as dificuldades e barreiras de acesso decorrentes da precarização das condições de trabalho nas unidades envolvidas no processo de transição. Os relatos apontam:
    • redução da oferta de consultas;
    • restrição de agendas e procedimentos;
    • diminuição do horário de funcionamento de unidades;
    • vacâncias não repostas;
    • aumento da rotatividade profissional;
    • adoecimento e afastamento de trabalhadores;
    • equipes incompletas em diversos serviços.

Essas ocorrências demonstram que o compromisso assumido pela Secretaria Municipal de Saúde, em Nota Pública de 15 de janeiro de 2026, de assegurar uma transição sem prejuízos à assistência, aos serviços e às equipes, não corresponde à realidade observada nos territórios.

A situação tornou-se ainda mais preocupante após a publicação do resultado do Chamamento Público nº 001/2026, que declarou vencedor o Instituto de Apoio à Gestão (IAG), entidade cuja atuação já foi objeto de procedimentos públicos relacionados a irregularidades na gestão de serviços de saúde em outros municípios.

O CMS registra que solicitou esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde acerca dos apontamentos divulgados pela imprensa e dos riscos envolvidos na contratação, sem que tenha recebido resposta satisfatória, além de manifestar como temerária a possibilidade de entidades fora do município e sem experiência em capitais assumirem a gestão de uma Coordenadoria de Saúde, bem como a possibilidade de pejotização de médicos prevista no edital. Esses apontamentos demonstram a fragilidade do edital de chamamento e coloca toda a Rede de Atenção à Saúde da cidade, sob risco de nova ruptura e de novo impedimento da entidade.

Além disso, a análise dos planos de trabalho apresentados pela entidade vencedora evidencia previsão de remuneração inferior à praticada nos contratos atualmente vigentes para diversas categorias profissionais, o que tende a ampliar a evasão de trabalhadores, a instabilidade das equipes e os prejuízos à continuidade do cuidado, inviabilizando assim o cumprimento dos atributos essenciais a atenção básica de longitudinalidade e coordenação do cuidado.

O Conselho recebeu ainda manifestação subscrita por trabalhadores que atuam nas unidades atingidas, elencando os prejuízos já evidentes do processo e previsibilidade de prejuízo na continuidade e qualidade assistencial corroborando os alertas formulados pelos Conselhos Distritais e pelo próprio CMS. “Além do desrespeito legal e moral, trata-se de um projeto que resultará na debandada de profissionais capacitados e no rompimento drástico do vínculo com os pacientes. O resultado dessa política será um apagão assistencial iminente nas unidades de saúde a partir de julho, cujas consequências recairão sobre a parcela mais vulnerável da nossa sociedade”, denuncia o manifesto.

Dessa maneira, o Conselho está encaminhando o Manifesto para o Ministério Público do Trabalho para avaliar a situação e tomar providências cabíveis no sentido de exigir a responsabilidade da Prefeitura de Porto Alegre no que diz respeito ao caráter subsidiário da responsabilidade. Tendo em vista que têm sido apontadas, de forma recorrente, falhas no cumprimento do seu dever de fiscalização, além dos problemas relacionados aos editais de chamamentos relativos aos contratos da Atenção Básica.

Em um cenário de emergência em saúde pública, no qual a Atenção Básica desempenha papel estratégico na identificação precoce dos casos, no acompanhamento clínico da população, na ampliação da cobertura vacinal, no monitoramento de grupos vulneráveis e na redução da pressão sobre os serviços de urgência e emergência, causa profunda preocupação a adoção de medidas que possam fragilizar a capacidade de resposta da rede municipal de saúde.

O Estado do Rio Grande do Sul encontra-se em situação de emergência em saúde pública em razão do aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e Influenza, sendo Porto Alegre referência assistencial para todo o Estado. Em 28 de maio, o Rio Grande do Sul passou a integrar a categoria de alto risco para SRAG, conforme apontado pelo boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), evidenciando o agravamento do cenário epidemiológico e a necessidade de fortalecimento — e não de enfraquecimento — da rede pública de saúde.

É precisamente quando a população mais necessita de um sistema de saúde fortalecido e plenamente estruturado que se tornam ainda mais preocupantes as incertezas decorrentes do processo de transição em curso. A ausência de planejamento adequado, a descontinuidade administrativa e a fragilização dos vínculos de trabalho comprometem a estabilidade dos serviços e colocam em risco a capacidade de resposta da rede municipal diante das crescentes demandas assistenciais.

Diante desse cenário, o Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre:
    1. Reafirma sua defesa intransigente do SUS público, universal, integral e com gestão orientada pelo interesse coletivo;
    2. Repudia a condução do processo de substituição das entidades gestoras sem diálogo efetivo com o controle social;
    3. Exige do gestor a resposta imediata quanto as deliberações do Conselho Municipal, elencadas acima;
    4. Solidariza-se com os trabalhadores e trabalhadoras da saúde que enfrentam insegurança profissional e adoecimento decorrentes da instabilidade criada pelo atual modelo;
    5. Reitera a necessidade de cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta que prevê solução definitiva para a força de trabalho da Atenção Básica;
    6. Requer atuação imediata dos órgãos de controle e de defesa dos direitos coletivos para prevenir danos à população e assegurar a continuidade dos serviços de saúde;
    7. Exige da Secretaria Municipal de Saúde transparência integral sobre o processo de transição, a situação das equipes, os indicadores assistenciais e os planos de contingência adotados.

O direito à saúde é garantia constitucional e não pode ser submetido à lógica da improvisação, da precarização ou da instabilidade na gestão de serviços essenciais.

A população não pode pagar o preço de escolhas equivocadas na gestão da Atenção Básica. 

Defender o SUS é defender vida, território e cuidado contínuo! 

Porto Alegre, junho de 2026.

Conselho Municipal de Saúde participa de homenagem aos 70 anos do Grupo Hospitalar Conceição

09/06/2026 17:59

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) esteve presente nesta segunda-feira (9) na Câmara Municipal de Porto Alegre, a convite do vereador Alexandre Bublitz, para participar da homenagem em celebração aos 70 anos do Grupo Hospitalar Conceição.

Representando o CMS, a coordenadora Maria Inês Bothona Flores participou da solenidade e foi convidada a compor a mesa do plenário, juntamente com o diretor do GHC Gilberto Barichello e com outras autoridades e representantes de instituições ligadas à saúde. As coordenadoras adjuntas do CMS, Djanira Conceição e Nídia Albuquerque também estavam presentes.

A cerimônia destacou a trajetória e a contribuição do Grupo Hospitalar Conceição para a saúde pública, reconhecendo seu papel histórico no atendimento à população e na formação de profissionais da área.

Ao final da homenagem, foi realizada uma foto coletiva que contou com a participação do secretário de Saúde Fernando Ritter, vereadores, convidados e representantes das entidades presentes, marcando a celebração dos 70 anos da instituição.

Pré-Conferência debate financiamento do SUS e convida população a participar

01/06/2026 21:56

O Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) promovem a Pré-Conferência do Eixo 2 da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre, que terá como tema “Financiamento adequado e suficiente para o SUS, com base na justiça tributária e na sustentabilidade fiscal e social”. A atividade integra o processo preparatório da Conferência e tem como objetivo ampliar o debate sobre o financiamento da saúde pública e fortalecer a participação social na construção das políticas de saúde do município.

A atividade será realizada no dia 3 de junho de 2026 (quarta-feira) e é uma etapa fundamental para aprofundar os debates, construir propostas e fortalecer a participação popular na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

O debate contará com a participação de especialistas com ampla experiência na área de gestão, financiamento e políticas públicas de saúde:

  • Prof. Dr. Roger dos Santos Rosa – Professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, docente do Departamento de Medicina Social, doutor em Epidemiologia e mestre em Administração, na área de Finanças.
  • Pedro Santos Coelho de Souza – Administrador, especialista em Economia e Finanças, servidor público e integrante da Diretoria do Fundo Municipal de Saúde desde 2015.

A Pré-Conferência é um espaço de diálogo e construção coletiva, onde as pessoas usuárias do SUS, trabalhadoras da saúde, gestoras, prestadoras de serviço, lideranças e representantes de movimentos sociais poderão debater os desafios do financiamento da saúde pública e preparar o debate da etapa final, onde serão formuladas propostas para o fortalecimento do SUS.

As pessoas inscritas e com presença registrada participarão com direito à voz e voto no processo conferencial, conforme as normas estabelecidas para a 10ª Conferência Municipal de Saúde. Mesmo quem não realizar inscrição prévia poderá acompanhar as atividades como ouvinte, contribuindo para ampliar o debate e fortalecer o controle social na saúde.

Serviço

📅 Data: 3 de junho de 2026 (quarta-feira)

🕔 Credenciamento dos inscritos: a partir das 17h

🕕 Início da atividade: 18h

📍 Local: Salão Nobre da UFCSPA – Prédio 1
Rua Sarmento Leite, 245 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS

💬 Tema: Financiamento adequado e suficiente para o SUS, com base na justiça tributária e na sustentabilidade fiscal e social

🎙️ Painelistas:

  • Prof. Dr. Roger dos Santos Rosa
  • Pedro Santos Coelho de Souza

✨ As inscrições devem ser realizadas pelo site da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre.

Importante: pessoas não inscritas previamente também poderão participar da atividade na condição de ouvintes.

Participe! Sua presença fortalece a democracia participativa, o controle social e a defesa de um SUS público, universal e adequadamente financiado.

Plenária Formativa debate a centralidade dos Agentes Comunitários de Saúde na Atenção Básica

26/05/2026 18:20

O Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre realiza, no próximo dia 28 de maio, a plenária formativa e etapa preparatória da 10ª CMSdePOA”, com o tema “Atenção Básica: a centralidade dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no modelo da Estratégia de Saúde da Família”. A atividade acontece das 18h às 21h30, no auditório da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, localizado na Avenida Ipiranga, 2752, bairro Azenha, em Porto Alegre.

A convidada da plenária será Camila Giugliani, médica de família e comunidade, doutora em epidemiologia e professora da Faculdade de Medicina da UFRGS.

O encontro integra o processo preparatório da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre e propõe o debate sobre o papel estratégico dos Agentes Comunitários de Saúde no fortalecimento da Atenção Básica. Inseridos nos territórios e em contato direto com a população, os ACS atuam no acompanhamento das famílias, na promoção da saúde e na construção do vínculo entre comunidade e serviços do SUS.

A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do CMS.

O evento conta com apoio do Laboratório de Políticas Públicas, Ações Coletivas e Saúde da UFRGS (LAPPACS/UFRGS).