História da Secretaria Municipal de Educação

A Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed) é o órgão da administração direta responsável por elaborar, implantar e coordenar as políticas públicas de educação no município, com atuação voltada à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental. A Secretaria também regula e acompanha o funcionamento da Rede Municipal de Ensino (RME), que atende aproximadamente 70 mil estudantes.

A origem institucional da atual Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre remonta à Lei Municipal nº 1.516, de 2 de dezembro de 1955, que transformou a então Diretoria Geral de Assistência e Instrução em Secretaria Municipal de Instrução e Assistência. A estrutura passou por alterações posteriores de denominação e atribuições até consolidar-se como a atual Secretaria Municipal de Educação.

Criação e primeiras décadas

A Secretaria Municipal de Educação foi criada com o objetivo de concentrar esforços no campo educacional, especialmente no ensino primário e na alfabetização. A criação da Smed ocorreu em um período de expansão das políticas públicas de educação e de fortalecimento do papel do município na oferta escolar.

Na década de 1950, Porto Alegre vivenciou a ampliação de sua rede escolar, com a construção das chamadas brizoletas, escolas de madeira implantadas para atender à crescente demanda por vagas. A proposta educacional do período era marcada por um enfoque humanista, voltado à formação integral dos estudantes.

Na década de 1960, o município integrou iniciativas voltadas à alfabetização de adultos, como a Campanha Paulo Freire “Pró-Erradicação do Analfabetismo do Adulto”. Nesse período, Porto Alegre se destacava pela expansão de sua rede escolar em relação ao número de habitantes.

A cidade como espaço educativo

Nos anos 1970, a Smed passou a trabalhar com a proposta pedagógica conhecida como A Cidade que Educa ou A Cidade Educativa. A concepção partia da ideia de que a educação não se restringe à escola ou à família, mas envolve todos os espaços da cidade e diferentes setores da sociedade.

Essa visão ampliou o entendimento sobre o papel da educação pública, reconhecendo os equipamentos urbanos, os espaços comunitários e as relações sociais como parte do processo formativo.

Gestão participativa e educação integral

Na década de 1980, a gestão municipal adotou o lema No Rumo de uma Gestão Participativa, reforçando a dimensão coletiva da política educacional. A proposta pedagógica do período compreendia a educação como um processo de humanização e formação do sujeito em suas dimensões social, histórica e cultural.

A segunda metade da década foi marcada pela implantação gradual dos Centros Integrados de Educação Municipal (CIEMs), com atendimento em turno integral. Também foram desenvolvidas ações voltadas à ampliação do acesso à escola e à alfabetização, como os projetos Nenhuma Criança sem Escola e Nenhum Adulto Analfabeto.

Escola Cidadã e Ciclos de Formação

Na década de 1990, a Rede Municipal de Ensino passou a incorporar com maior força as teorias construtivistas em suas práticas pedagógicas, valorizando a interação social, a aprendizagem significativa e a formação cidadã.

Em 1995, foi realizado o Congresso Constituinte da Educação Municipal, que contribuiu para a construção dos princípios de convivência, gestão, currículo e avaliação no projeto Escola Cidadã: Aprendizagem para Todos.

A partir de 1996, a rede iniciou a implantação da organização curricular por Ciclos de Formação, proposta que buscava superar o modelo seriado tradicional, reorganizando tempos, espaços e práticas escolares com foco na inclusão, na permanência e na aprendizagem dos estudantes.

Em 18 de agosto de 1998, foi criado o Sistema Municipal de Ensino de Porto Alegre, por meio da Lei nº 8.198/1998, integrando as instituições educacionais mantidas pelo município, as instituições privadas de Educação Infantil, o Conselho Municipal de Educação e a própria Smed. Em 2022, o Sistema Municipal de Ensino foi atualizado pela Lei nº 13.218/2022, que revogou a legislação anterior e redefiniu suas competências e organização.

Cidade Educadora e Cidade que Aprende

Nos anos 2000, a Smed passou a trabalhar com o conceito de Cidade Educadora, reconhecendo que a educação ocorre em diferentes espaços da cidade e resulta da articulação entre poder público, escolas, comunidades e sociedade civil.

Com o início de uma nova gestão municipal, a proposta pedagógica foi reformulada sob o lema A Cidade que Aprende, destacando a aprendizagem permanente, a valorização das experiências escolares e a abertura para diferentes formas de ensinar e aprender.

Nesse período, ganharam destaque programas e projetos como Cidade Escola, Abrindo Espaços, Vou à Escola e Robótica Educacional. Também foram realizadas as Conversações Internacionais, entre 2006 e 2008, eventos pedagógicos que reuniram educadores, estudantes, famílias, pesquisadores e integrantes da Rede Municipal de Ensino.

Gestão por resultados e integralidade da educação

A década de 2010 iniciou com a proposta O Conhecimento Fazendo a Diferença, baseada em quatro eixos prioritários: Gestão Educacional de Resultados, Conhecimento, Inclusão e Integralidade da Educação.

Nesse período, a Smed desenvolveu ações voltadas à ampliação da jornada escolar, à inclusão digital, à robótica educacional, às mídias escolares, à formação de professores e ao fortalecimento de atividades esportivas, culturais e pedagógicas.

O planejamento estratégico da Secretaria passou a ser orientado pelo trinômio Articular, Integrar e Qualificar, com foco na ampliação do atendimento, na qualificação da gestão e na promoção de oportunidades complementares de aprendizagem.

Recomposição da aprendizagem e novos projetos

A partir da década de 2020, a Secretaria Municipal de Educação direcionou seus esforços à recomposição da aprendizagem e à inclusão social, especialmente após os impactos causados pela pandemia de Covid-19.

Em 2022, foi criado o programa Correção de Fluxo, com o objetivo de orientar e corrigir a distorção idade-série em turmas do Ensino Fundamental. Em 2023, foi lançado o RecomPOA, voltado à recomposição das aprendizagens dos estudantes da Rede Municipal de Ensino.

Nos anos seguintes, a Smed passou a estruturar novos projetos estratégicos, como o Alfabetiza+POA, voltado à alfabetização na idade certa; o Incluir+POA, direcionado ao atendimento de estudantes com deficiência ou outras necessidades específicas; e a Escola de Formação Continuada, espaço destinado à formação permanente de professores e servidores da Secretaria.

Estrutura e atribuições

A Smed é responsável pela formulação, execução e coordenação da política educacional do município de Porto Alegre. Sua atuação abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e as modalidades vinculadas à Rede Municipal de Ensino, além da supervisão das instituições privadas de Educação Infantil integrantes do Sistema Municipal de Ensino.

Entre suas principais atribuições estão:

  • planejar, coordenar e avaliar as políticas educacionais do município;
  • assegurar o acesso, a permanência e a aprendizagem dos estudantes;
  • promover a formação continuada dos profissionais da educação;
  • implementar programas e projetos de inclusão, inovação pedagógica e recomposição da aprendizagem;
  • regular e acompanhar o funcionamento da Rede Municipal de Ensino e das instituições vinculadas ao Sistema Municipal de Ensino.

Ao longo de sua trajetória, a Secretaria Municipal de Educação consolidou-se como uma instituição fundamental para o desenvolvimento social de Porto Alegre, atuando na ampliação do direito à educação pública, na valorização das escolas e na construção de políticas educacionais voltadas à cidadania, à inclusão e à aprendizagem.

 

Legislação relacionada

Lei Complementar nº 1.037, de 2 de fevereiro de 2025 — Reorganiza e consolida a Administração Pública Municipal

Lei Municipal nº 13.218, de 6 de setembro de 2022 — Dispõe sobre o Sistema Municipal de Ensino de Porto Alegre, define suas competências e organização.

Lei Municipal nº 8.198, de 18 de agosto de 1998 — Cria o Sistema Municipal de Ensino de Porto Alegre.

Lei Municipal nº 6.099, de 3 de fevereiro de 1988 — Altera a Denominação e as Finalidades da Secretaria Municipal de Educação

Lei Municipal nº 1.516, de 2 de dezembro de 1955 — Extingue e Cria Cargos, Suprime Funções Gratificadas e dá outras Providências.

O que é a Rede Municipal de Ensino?

A Rede Municipal de Ensino (RME) é formada pelas escolas mantidas pela Prefeitura de Porto Alegre, vinculadas à Secretaria Municipal de Educação. Ela compreende unidades de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e outras modalidades atendidas pelo município.

A RME reúne escolas, estudantes, professores, equipes diretivas, servidores e demais profissionais que atuam na educação pública municipal.

O que é o Sistema Municipal de Ensino?

O Sistema Municipal de Ensino de Porto Alegre organiza a educação no âmbito do município. Ele inclui as instituições educacionais mantidas pelo poder público municipal, as instituições privadas de Educação Infantil vinculadas ao sistema, o Conselho Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Educação.

Enquanto a Rede Municipal de Ensino se refere principalmente às escolas públicas municipais, o Sistema Municipal de Ensino é mais amplo e envolve também a regulação, a supervisão e a organização da educação municipal.

Ex-secretários da Educação
Secretário(a) Início da Gestão Fim da Gestão
1 Tristão Sucupira Vianna 2 de janeiro de 1956 30 de dezembro de 1958
2 Amnerys Fortini Albano 31 de dezembro de 1958 20 de janeiro de 1960
3 Carlos Britto Velho 21 de janeiro de 1960 4 de dezembro de 1962
4 Nair Marques Pereira de Almeida 5 de dezembro de 1962 31 de dezembro de 1963
5 Hamilton Moogen Chaves 1º de janeiro de 1964 15 de abril de 1964
6 Afonso José de Revoredo Ribeiro 16 de abril de 1964 14 de maio de 1964
7 Francisco Machado Carrion 15 de maio de 1964 13 de abril de 1965
8 Ernani Ignácio de Oliveira 14 de abril de 1965 30 de janeiro de 1969
9 Frederico Lamachia Filho 31 de janeiro de 1969 7 de abril de 1975
10 Áttila Sá D’Oliveira 8 de abril de 1975 1º de abril de 1979
11 Carlos Rafael Santos 2 de abril de 1979 3 de março de 1982
12 Jaci Ester Von Zuccalmaglio 4 de março de 1982 10 de abril de 1983
13 João Mano José 11 de abril de 1983 2 de abril de 1985
14 Frederico Otávio Domingues Barbosa 3 de abril de 1985 1º de janeiro de 1986
15 Teresinha Chaise 2 de janeiro de 1986 5 de maio de 1986
16 Neuza Canabarro 6 de maio de 1986 1º de janeiro de 1989
17 Esther Pillar Grossi 2 de janeiro de 1989 4 de janeiro de 1993
18 Nilton Bueno Fischer 5 de janeiro de 1993 2 de novembro de 1993
19 Sonia Pilla Vares 3 de novembro de 1993 31 de dezembro de 1996
20 José Clóvis de Azevedo 1º de janeiro de 1997 31 de dezembro de 2000
21 Eliezer Pacheco 1 de janeiro de 2001 31 de dezembro de 2002
22 Sofia Cavedon Nunes 1 de janeiro de 2003 1 de abril de 2004
23 Maria de Fátima Baierle 2 de abril de 2004 31 de dezembro de 2004
24 Marilú Fontoura de Medeiros 1 de janeiro de 2005 ---
25 Cleci Maria Jurach 1 de janeiro de 2009 31 de dezembro de 2016
26 Adriano Neves de Brito 1 de janeiro de 2017 31 de dezembro de 2020
27 Janaina Audino janeiro de 2021 fevereiro de 2022
28 Sônia Maria Oliveira da Rosa 3 de março de 2022 18 de junho de 2023
29 Ricardo Gomes (Interino) 18 de junho de 2023 2 de julho de 2023
30 José Paulo da Rosa 3 de julho de 2023 20 de maio de 2024
31 Maurício Cunha (Interino) 20 de maio de 2024 31 de dezembro de 2024
32 Leonardo Pascoal 1 de janeiro de 2025 Atual

Lista em atualização, com base em registros históricos da Smed e publicações oficiais.

Atualizado em 9 de julho de 2026.